ONU/Palestina

Palestinos chamam Obama de "traidor" e "colono de Israel"

Manifestantes protestam contra o veto de Barack Obama à entrada do Estado Palestino na ONU.
Manifestantes protestam contra o veto de Barack Obama à entrada do Estado Palestino na ONU. REUTERS/Mohamad Torokman

Milhares de palestinos protestaram hoje, nas principais cidades da Cisjordânia, contra o discurso feito ontem pelo presidente Barack Obama na ONU. Obama negou o pedido de reconhecimento de um Estado palestino independente e membro pleno das Nações Unidas, levando os palestinos a saírem nas ruas com cartazes de "traidor".

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Decepcionados com o discurso-pró-Israel do presidente americano, os palestinos chamaram Obama de "traidor", "anti-democrático" e "colono de Israel" nos protestos de rua realizados hoje nas principais cidades da Cisjordânia. Em Nablus, funcionários públicos fizeram uma greve simbólica de uma hora para manifestar sua indignação. Em Ramala, milhares de pessoas se reuniram na frente da sede da Autoridade Palestina para denunciar a traição dos americanos na ONU.

Em seu pronunciamento na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, Obama declarou nessa quarta-feira que não havia "atalhos" para chegar à paz no Oriente Médio.

Em Israel, a fala do chefe da Casa Branca foi recebida com euforia pela imprensa e o governo, que consideraram o discurso de ontem o mais sionista já pronunciado por Obama desde que ele chegou ao poder. Nos jornais de hoje, o único editorial crítico, do diário israelense Haaretz, qualificou de "triste e aflitivo" o posicionamento de Obama, que deixou "nas mãos dos ocupantes e dos ocupados a tarefa de encontrar uma solução para os problemas graves do conflito".   

O Hamas, movimento radical islâmico contrário à iniciativa do presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, comentou que a posição de Obama revela que árabes e palestinos estão errados em contar com a ajuda dos Estados Unidos. "Face a esta arrogância dos Estados Unidos e de Israel, nós defendemos uma estratégia nacional palestina baseada na independência e no mundo árabe muçulmano", afirmou um porta-voz do Hamas, grupo que governa a Faixa de Gaza.  

Mahmoud Abbas deve pedir nesta sexta-feira que a ONU reconheça a Palestina como um estado membro da organização.

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