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ONU/Palestina

Conselho de Segurança da ONU inicia análise do pedido de adesão do Estado palestino

O Presidente da Autoridade Palestina foi recebido como herói em Ramallah
O Presidente da Autoridade Palestina foi recebido como herói em Ramallah Reuters

Os 15 países que integram o Conselho de Segurança da ONU iniciam nesta segunda-feira à noite, em Nova York, a análise do pedido de adesão da Palestina como estado membro, feito pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas. As discussões devem demorar pelo menos 4 semanas, segundo fontes diplomáticas. Os Estados Unidos já anunciaram que vão vetar a iniciativa.

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Os palestinos esperam obter os 9 votos necessários para poder encaminhar o pedido à Assembleia Geral da Organização. Seis membros, entre eles o Brasil, já se manifestaram favoravelmente. Na Assembleia, dos 194 países, os palestinos contam com o apoio de aproximadamente 127, o que seria suficiente para obter o status de Estado observador, como o Vaticano.

O Quarteto para o Oriente Médio (Estados unidos, União Europeia, ONU e Rússia), propôs uma retomada do processo de paz, estipulando um prazo para um acordo final até 2012. As discussões foram interrompidas em setembro de 2010, com o fim da moratória parcial israelense para a construção de novos assentamentos na Cisjordânia. Abbas já declarou neste domingo que não haverá negociações sem uma interrupção total das construções. Já o premiê israelense Benjamin Netanyahu, que deu entrevista a diversos canais de TV americanas depois do discurso na sexta-feira, declarou à rede NBC que a obtenção de um consenso só seria possível " se todas as condições estipuladas pelos palestinos fossem colocadas de lado."

De acordo com ele, os "palestinos tentam obter um estado para dar continuidade ao conflito com Israel, e não para colocar um fim às divergências." A representante palestina Hanane Ashraoui reagiu às declarações de Netanyahu em entrevista à ABC, dizendo que Israel aceita negociar "anexando Jerusalém, retirando os refugiados e anexando todos os assentamentos", ou seja, sem abrir mão de suas exigências.  O pedido de adesão apresentado pelos palestinos se baseia nas fronteiras de 1967, antes da ocupação da Cisjordânia. Desde então, Israel já construiu 130 assentamentos, onde vivem 300 mil pessoas. Outras 200 mil se instalaram na parte oriental de Jerusalém. Os palestinos exigem que a cidade seja a capital do futuro estado.

Abbas é recebido como herói na Cisjordânia
 

Milhares de palestinos entusiasmados receberam neste domingo, na Cisjordânia, o presidente Mahmoud Abbas, que voltou de NovaYork como herói depois do histórico discurso que fez na ONU, na sexta-feira. Para a multidão que lotou a praça em frente à Mukata – a sede do governo palestino em Ramallah, Abbas anunciou o começo da “Primavera palestina”, uma alusão à série de revoltas que tomou conta do mundo árabe desde o começo do ano.

Daniela Kresch, correspondente da RFI em Ramallah

Ele também reiterou que os palestinos só voltarão a negociar com Israel caso o Estado Judeu consegele a construção em assentamentos, mesmo apesar do apelo para a volta das conversas feito pelo chamado Quarteto: União Européia, Estados Unidos, Rússia e ONU. A popularidade de Abbas alcança, no momento, níveis sem precedentes, elevando o líder quase ao patamar do ex-presidente Yasser Arafat.

Mas a expectativa dos palestinos pode ser frustrada caso a moção de Abbas pelo reconhecimento da Palestina no Conselho de Segurança não seja aprovada. Também há apreensão quanto a uma possível volta de violência no Oriente Médio. Na sexta-feira, houve confrontos entre israelenses e palestinos, mas, até agora, a situação é mais calma do que esperavam as forças de segurança dos dois lados.

*Com colaboração de Daniela Kresch

 

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