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Israel/processo de paz

Israel anuncia construção de mais 1100 casas no leste de Jerusalém

Manifestação de colonos em Beit El, perto de Ramallah, contra o pedido de adesão do estado Palestino.
Manifestação de colonos em Beit El, perto de Ramallah, contra o pedido de adesão do estado Palestino. © Reuters
Texto por: Taíssa Stivanin
3 min

O governo israelense anunciou nesta terça-feira a construção de mais 1100 assentamentos no leste de Jerusalém, dificultando as negociações para a retomada do processo de paz, propostas pelo Quarteto para o Oriente Médio. A decisão, segundo os palestinos, mostra que o pedido de adesão como estado-membro no Conselho de Segurança da ONU é a única solução para o conflito.

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O plano para a construção de novos assentamentos no bairro Gilo, no leste de Jerusalém, foi aprovado pelo Comitê de Urbanização do Ministério do Interior de Israel, segundo seu porta-voz, Roei Lachmanovich. Segundo ele, o projeto está aberto para objeções do público durante durante 60 dias, antes da publicação do edital de licitação para o lançamento das obras.

Os palestinos reagiram imediatamente ao anúncio, que surpreende a comunidade internacional, determinada a relançar as mediações para um processo de paz. O negociador da Autoridade Palestina, Saeb Erakat, declarou que a decisão israelense evidencia a impossibilidade de um acordo. A retomada das negociações, que propõe a criação de dois estados em um ano, foi proposta pelo Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, União Europeia, ONU e Rússia) depois do pedido de adesão da Palestina como estado membro da ONU. O documento, encaminhado para a análise do Conselho de Segurança, foi protocolado pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas na sexta-feira.

O Quarteto também pediu a ambas as partes que “evitassem qualquer tipo de provocação." Para os palestinos, o projeto de novas obras "trata-se de uma medida unilateral que estabelece condições prévias nas negociações." A interrupção das construções de novas casas nos territórios ocupados foi uma exigência dos palestinos para a retomada das discussões, mas o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, já declarou que uma nova moratória está descartada. O governo israelense reiniciou as obras na Cisjordânia em 27 de setembro de 2010. Desde então, as negociações para o processo de paz na região voltaram à estaca zero.

Em uma entrevista ao jornal Jerusalém Post, Netanyahu declarou que não vai interferir no projeto de construções em Gilo. "Não há nada de novo. Construímos em Jerusalém, da mesma maneira que os governos israelenses vêm fazendo desde 1967." De acordo com dados do governo, a população israelense na Cisjordânia aumentou, em um ano, de 3 .500 pessoas para 312 mil.

União Europeia lamenta anúncio

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, disse nesta terça-feira, no Parlamento europeu em Estrasburgo, que lamentava a decisão do governo israelense de construir novas casas no leste de Jerusalém. "Esse anúncio ameaça a viabilidade da solução de dois estados", disse. "O Quarteto havia pedido que ambas as partes evitassem qualquer tipo de provocação", ressaltou.  A porta-voz do Departamento de estado americano, Victoria Nuland, também declarou que os Estados Unidos estão 'decepcionados' com a decisão do governo isralense.

 

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