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Mais um manifestante é morto durante protestos no Egito

Sexta-feira reuniu público recordo em manifestações, como esta em Alexandria.
Sexta-feira reuniu público recordo em manifestações, como esta em Alexandria. REUTERS/Mohamed Abd El-Ghany
Texto por: RFI
4 min

A dois dias do início das primeiras eleições egípcias depois da queda do ditador Hosni Mubarack, mais um manifestante foi morto durante novos distúrbios registrados neste sábado na capital egípcia, Cairo, entre as forças de segurança e manifestantes que pedem a saída imediata da junta militar que governa o Egito desde o fim do regime. Os protestos se concentram na frente da sede do Conselho de Ministros do Egito.

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De acordo com a emissora de TV estatal egípcia, as tensões tiveram início quando as forças de segurança pediram aos opositores presentes que se retirassem. O grupo aglomerado no local, porém, adotou uma postura agressiva ao ver uma viatura dar ré e atropelar dois cidadãos.

Um deles, de 21 anos, morreu e outro ficou ferido, disse o diretor do hospital de Al Munira, Mohammed Shauki, à agência oficial de notícias "Mena". Os manifestantes passaram a noite acampados na sede do Conselho de Ministros para impedir que o novo primeiro-ministro, Kamal Ganzouri, apontado pelo CSFA (Conselho Supremo das Forças Armadas), entrasse no prédio.

Na praça Tahrir, a movimentação continua alta, mas o ambiente estava mais calmo. Dezenas de voluntários limpavam os restos do grande protesto que ontem exigiu aos militares que abandonassem o poder imediatamente.

Grupos opositores propõem um governo de salvação nacional liderado pelo prêmio Nobel da Paz e candidato presidencial Mohamed ElBaradei, uma opção rejeitada pelo Exército. Durante a manifestação de ontem, ElBaradei, também ex-diretor da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), se uniu às dezenas de milhares de pessoas no local para apoiar a causa de fim do poder do Exército.

Hoje, Hoje, o chefe do Exército, Hussein Tantui, concordou em receber ElBaradei e Amr Moussa, ex-secretário-geral da Liga Árabe, outra personalidade evocada pelos manifestantes.

Tentando acalmar a situação, a junta militar demitiu o primeiro-ministro Essam Sharaf e prometeu antecipar em seis meses a eleição presidencial, inicialmente programada para o final de 2012. Na segunda-feira, começa no Egito uma eleição parlamentar em várias etapas, que vai até o começo de 2012.

Já neste sábado, mais de 100 mil egípcios que moram no exterior votaram nas eleições parlamentares em embaixadas e consulados ao redor do mundo, segundo fontes do governo citadas pela emissora de TV Al Jazeera, com sede no Qatar. É a primeira vez que expatriados podem votar. Segundo o site "Ahram Online", apenas 300 mil de um total estimado em 8 milhões de egípcios vivendo fora do país se registraram para votar.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu novamente ao conselho militar que garanta uma transição pacífica de poder aos civis após conversar com representantes das autoridades egípcias, segundo seu porta-voz Martin Nesirky. Ban falou com o líder do conselho, Hussein Tantawi, por telefone e renovou o apelo por uma "transição pacífica, inclusiva e ordenada que vá de acordo com as aspirações legítimas do povo egípcio através de eleições transparentes que levem a um governo civil", citou Nesirky.

Na sexta-feira, a Casa Branca também afirmou que a transferência de poder a um governo civil no Egito deve acontecer o mais rápido possível e lamentou a perda de vidas durante os últimos protestos pró-democracia. "A plena transferência de poder para um governo civil tem de ocorrer de uma maneira justa e inclusiva que responda às legítimas aspirações do povo egípcio, tão logo quanto possível", afirmou o secretário de imprensa da Casa Branca, Jay Carney.

Ao menos 42 pessoas morreram em uma semana de manifestações contra o controle do Egito pelos militares. Os Estados Unidos instaram as autoridades a realizar uma investigação independente sobre as circunstâncias dessas mortes, segundo comunicado.
 

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