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Eleições

Marrocos terá premiê islâmico moderado pela primeira vez

Abdelilah Benkirane, secretário-geral do Partido Justiça e Desenvolvimento do Marrocos, deve ser nomeado chefe do governo nesta terça-feira.
Abdelilah Benkirane, secretário-geral do Partido Justiça e Desenvolvimento do Marrocos, deve ser nomeado chefe do governo nesta terça-feira. REUTERS/Stringer
Texto por: RFI
3 min

Os resultados definitivos das eleições legislativas de 25 de novembro no Marrocos confirmam a vitória do partido islâmico PJD (Partido Justiça e Desenvolvimento), que conquistou 107 cadeiras de um total de 395. Segundo líderes do partido, seu secretário-geral, Abdelilah Benkirane, pode ser recebido já nesta terça-feira pelo rei Mohamed VI, que deve nomeá-lo primeiro-ministro.

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A nova consituição, apresentado pelo rei e adotada por um referendo popular em julho, prevê que o chefe do governo seja membro do partido vencedor das eleições legislativas.

O PJD aumentou em mais de 100% sua representação parlamentar, que era de 47 deputados de um total de 325 na antiga Câmara. Agora o PJD deve formar uma coalizão para governar. Três partido do atual governo - Istiqal, com 60 cadeiras, a Reunião Nacional dos Independentes, com 52, e a União socialistas das forças populares, com 39 cadeiras - já se declararam abertos a negociações.

Logo após a vitória de seu partido, Benkirane reafirmou a primazia da monarquia: "O rei é o chefe do Estado e nenhuma decisão importante pode ser tomada pelo Conselho dos ministros sem a vontade do rei", afirmou.

O chefe do PJD também indicou que "se o rei escolher como primeiro-ministro outra pessoa que não o secretário-geral, os responsáveis do nosso partido se reunirão e decidirão que posição adotar".

O PJD, um partido que reivindica referências islâmicas e monarquistas, passou em menos de 15 anos de uma representação parlamentar limitada a nove deputados em 1997 ao papel de primeira força política na Câmara com mais de um quarto das cadeiras.

A vitória do PJD ocorre um mês após a ascensão ao poder do partido islâmico Ennahda na Tunísia, país onde a primavera árabe teve início em dezembro do ano passado. As forças islâmicas também são favoritas nas legislativas do Egito, que começaram nesta segunda-feira.

Se essa tendência se confirmar, a paisagem política do Mediterrâneo será transformada, com um Islã político que se declara moderado e pró-democracia no poder em três países árabes do norte da África e na Turquia.

Reações

O ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé, relativizou a vitória do PJD, enfatizando que o partido não obteve a maioria absoluta e que já fazia parte do Parlamento precedente. "É um partido que tem posições moderadas. Não se pode partir do princípio de que todo partido que tem como ponto de referência o Islã deva ser estigmatizado", considerou o chanceler.

A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton convidou os marroquinos a enfrentar "a difícil tarefa de construir a democracia".

E para a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, "os futuros parlamento e governo terão o grande desafio de fazer com que as reformas políticas, econômicas e sociais avancem."

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