Rússia/ protestos

Milhares de russos vão às ruas para pedir novas eleições

Dezenas de milhares de pessoas contestam os resultados das eleições legislativas de 4 de dezembro.
Dezenas de milhares de pessoas contestam os resultados das eleições legislativas de 4 de dezembro. REUTERS/Alexander Demianchuk

Dezenas de milhares de russos saíram hoje às ruas de Moscou para protestar contra os resultados das eleições legislativas no país, contestados pela oposição, que pede a realização de uma nova votação. Os manifestantes – que seriam entre 120 mil, conforme os organizadores do movimento, e 30 mil, segundo a polícia - também clamam por “uma Rússia sem Putin”.

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Os protestos, os mais intensos desde 2000, acontecem na avenida Sakharov, na capital, em um sábado ensolarado de inverno. A contagem de participantes anunciada pela polícia parece subestimar a presença dos russos: a avenida Sakharov comporta entre 55 e 60 mil pessoas, e a multidão se mostrava densa e compacta no local.

Diversos manifestantes usavam lenços brancos, símbolo do movimento iniciado há duas semanas, quando um protesto reuniu 50 mil pessoas. As eleições legislativas de 4 de dezembro são alvo de controvérsia porque, segundo a oposição, o partido do presidente Dimitri Medvedev, Rússia Unida, saiu vitorioso graças a fraudes massivas registradas em todo o país.

Comboios policiais acompanham a manifestação, sem intervir. O protesto terminou sem incidentes. Os presentes demonstraram a intenção de promover uma terceira marcha, ainda sem data definida. Outros protestos menos também foram registrados em São Petesburgo, Nijni-Novgorod, Tcheliabinsk, Samara, Tomsk e Krasnodar, reunindo entre 1 mil e 4 mil participantes em cada.

Intelectuais russos se uniram aos participantes, em sua maioria liberais, nacionalistas, anarquistas, ecologistas e jovens. Ontem, até mesmo o ex-presidente Mikhail Gorbatchev confessou, em um artigo publicado no jornal Novaia Gazeta, que sente “vergonha” por ter apoiado o atual primeiro-ministro, Vlaidimir Putin, quando ele foi eleito pela primeira vez, em 2000. Também d'Alexeï Koudrine, ex-ministro das Finanças de Putin e Medvedev durante 11 anos, agora critica o governo e participou da manifestação de hoje.

“É preciso uma plataforma de diálogo, senão haverá uma revolução. Não vamos perder a chance que está diante de nós de fazermos uma mudança pacífica”, clamou Koudrine diante da multidão, neste sábado.
A oposição pede a anulação do último pleito, a realização de nova votação, o registro de novos partidos de oposição, a demissão do atual presidente da comissão eleitoral e libertação de dezenas de prisioneiros considerados políticos. Alguns pedem também a demissão do premiê. O Conselho de Direitos Humanos da Rússia, ligado ao governo, avalia que as irregularidades verificadas nas eleições legislativas descreditam o novo Parlamento e é favorável à saída do coordenador da votação.

Por enquanto, tanto Putin quanto Medvedev rejeitam a proposta de realização de nova eleição. O presidente prometeu, entretanto, uma ampla reforma política no país, incluindo o relaxamento das regras para o registro de novos partidos e o retorno às eleições diretas para governadores.
 

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