Síria / violência

Oposição síria acusa observadores árabes de encobrir repressão

Manifestantes sírios protestam do lado de fora do hotel onde se reuniu a Liga Árabe neste domingo, no Cairo.
Manifestantes sírios protestam do lado de fora do hotel onde se reuniu a Liga Árabe neste domingo, no Cairo. REUTERS/Asmaa Waguih

A oposição síria acusou nesta segunda-feira a Liga Árabe de "encobrir" a repressão da contestação popular conduzida pelo regime do presidente Bashar al-Assad, após a decisão da organização de manter seus observadores no país. Eles são criticados pela incapacidade de dar um fim a dez meses de violência.

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A Turquia, que reclamou a saída do presidente Bashar al-Assad, pediu que a oposição continue sua resistência contra o regime por "vias pacíficas", após um encontro com o CNS (Conselho Nacional Sírio), o mais importante grupo da oposição.

Já o papa Bento 16 pediu a abertura de um "diálogo frutuoso", "favorizado pela presença de observadores independentes", e repetiu seu apelo por um "fim rápido ao derramamento de sangue" na Síria, onde a repressão já fez mais de cinco mil mortos desde o dia 15 de março, segundo dados das Nações Unidas.

Críticas

"Está claro que a missão dos observadores tenta encobrir os crimes do regime sírio, dando a ele mais tempo e oportunidades para matar nosso povo e acabar com sua determinação", afirmou em um comunicado a Irmandade Muçulmana, que faz parte do CNS.

O relatório dos observadores árabes "coloca em pé de igualdade o carrasco e a vítima e faz um paralelo entre a máquina de matar oficial com os tanques e os mísseis e as operações individuais de auto-defesa", acusou o grupo.

Para a Comissão geral da Revolução Síria, um grupo que coordena os militantes em campo, ese relatório fica "aquém das expectativas do povo sírio", e a Liga Árabe "deve anunciar o fracasso de sua iniciativa, na falta dos meios necessários para parar a matança". O grupo pede a interferência da ONU.

"A presença dos observadores e a maneira como eles fazem seu trabalho é um favor para o regime", acrescentou o chefe do Observatório sírio dos direitos humanos, Rami Abdel Rahmane. Como exemplo, ele diz que nesta segunda-feira duas pessoas foram feridas por tiros em um bloqueio militar em Hom, centro da contestação popular, "na presença de observadores árabes". "Isso constitui uma clara violação do protocolo", declara Rahmane.

Três civis foram mortos hoje pelo exército, um em Hama (centro), um perto da capital Damasco e uma muher em Idleb (nordeste), indicou a organização.

Relatório

O comitê ministerial árabe para a Síria decidiu neste domingo "dar aos observadores o tempo necessário para continuar a missão deles de acordo com o protocolo", após ter examinado o primeiro relatório do chefe dos observadores, o general sudanês Mohammed Ahmed Moustapha al-Dabi.

Esse protocolo prevê, além da missão de observação de um mês iniciada no dia 26 de dezembro, o fim da violência, a libertação dos presos políticos, a retirada do exército das cidades e a livre circulação para os observadores árabes e a imprensa.

Mas a repressão da contestação popular continuou fazendo centenas de mortos, segundo a oposição, que acusa os observadores de serem "manipulados" pelo regime de Assad.

 

 

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