Síria/Liga Árabe

Liga Árabe aguarda relatório “decisivo” da missão de observadores

Protesto contra o presidente Bashar Al-Assad em foto desta terça-feira, em Jerjenaz.
Protesto contra o presidente Bashar Al-Assad em foto desta terça-feira, em Jerjenaz. REUTERS/Handout

O chefe dos observadores da Liga Árabe enviados à Síria deve entregar nas próximas 24 horas um relatório considerado “decisivo” para a sequência da missão no país, apesar das críticas de que a iniciativa não tem convencido o regime do presidente Bashar al-Assad de por fim à violência contra os opositores.

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"Estamos em uma etapa crucial porque o chefe da missão (o general sudanês Mohammed Ahmed Moustapha al-Dabi) vai entregar seu relatório nesta quinta-feira”, afirmou Ahmed ben Helli, secretário-geral adjunto da Liga Árabe em entrevista à agência oficial do Catar, QNA. “O relatório será decisivo“ e após sua divulgação a Liga Árabe decidirá o futuro da missão, acrescentou o secretário.

No entanto, a central de operações da Liga Árabe no Cairo encarregada de acompanhar os trabalhos da missão de observadores acredita que o documento poderá ser entregue na sexta-feira.

O próprio general sudanês deverá apresentar seu relatório no sábado diante do Comitê ministerial árabe encarregado do dossiê sírio que examinará o documento. O Comitê irá submeter suas recomendações aos mnistros das Relações Exteriores da Liga Árabe que se reunirão no domingo.

No encontro será feita uma avaliação da cooperação do governo sírio com a missão de observadores enviados pela Liga Árabe que enfrentam dificuldades de acesso às regiões de maior tensão entre as forças governamentais e os opositores ao regime.

Em uma das visitas ao interior do país, membros da delegação foram alvos de um ataque que deixou dois observadores feridos, apesar do compromisso do governo sírio de garantir a segurança dos representantes da missão da Liga Árabe.

Na semana passada, o emir do Catar, o xeique Ben Khalifa Al Thani, disse ser favorável ao envio de uma força árabe para por fim à repressão do regime que já teria feito, segundo a ONU. 5.400 mortos desde o início da revolta popular, em março do ano passado. Cerca de 400 pessoas já morreram desde a chegada da missão da Liga Árabe, em dezembro.

Damasco rejeitou a proposta do Catar. A missão da Liga Árabe foi enviada à Síria depois que o governo de al-Assad aceitou um protocolo estabelecido para a missão que prevê o fim imediato da violência contra a população, a retirada dos veículos militares das cidades e possiblidade de circulação para os jornalistas estrangeiros. Nenhum desses três compromissos foram respeitados pelo regime sírio.

Mais de 140 organização árabes de defesa dos Direitos Humanos e da sociedade civil pediram nesta quarta-feira a retirada da missão da Liga Árabe e uma intervenção da ONU

No dia 8 de janeiro, após um relatório preliminar entregue pelo chefe dos observadores, a Liga Árabe decidiu prorrogar e reforçar a missão no país, apesar das indicações de que o regime sírio não colaborava como previsto e das críticas feitas ao trabalho dos especialistas que não consegue frear a repressão contra os opositores.

 

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