Egito/ Revolução

Manifestação e parada militar marcam um ano da revolta egípcia

Manifestantes egípcios ocupam a Praça Tahrir, no Cairo, para celebrar um ano da insurgência popular que destituiu o regime de Hosni Mubarak.
Manifestantes egípcios ocupam a Praça Tahrir, no Cairo, para celebrar um ano da insurgência popular que destituiu o regime de Hosni Mubarak. REUTERS/Suhaib Salem

Egípcios comemoram o aniversário de um ano da revolta popular, que começou simbolicamente em 25 de janeiro em um movimento contra a polícia e duas semanas depois derrubou o ditador Hosni Mubarak. Enquanto o ex-presidente enfrenta processo na Justiça, exército, partidos islâmicos e revolucionários disputam o poder político no país.

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Entre celebrações oficiais com paradas militares e convocações de militantes para reacender a chama de uma revolução considerada inacabada, o Egito vive um contexto político ainda turbulento um ano depois. Três forças ainda reivindicam sua legitimidade popular: o exército, os revolucionários e o partido islâmico Justiça e Liberdade, ligado à Irmandade Muçulmana, grande vencedor do pleito legislativo, com mais de 35% dos votos.

Nesta quarta-feira, a Praça Tahrir, no Cairo, símbolo da revolução, voltou a ficar lotada, após uma noite de muita chuva – saudada por muitos como sinal de bom presságio. Milhares de manifestantes se reuniram pacificamente, carregando bandeiras e cartazes. Em um deles lia-se "Celebração do primeiro aniversário" e em outro "Queda do poder militar". Na véspera, a organização Anistia Internacional pediu ao governo para proteger os manifestantes e garantir o direito deles de protestar pacificamente.

Os militares prometeram entregar o poder aos civis em eleições presidenciais antes do fim do mês de junho. Mas boa parte da população diz que esta é apenas uma tática do Exército para conservar uma parte de sua influência política.

Na parada militar desta quarta-feira, a maior ausência é a do ex-ditador Hosni Moubarak, de 83 anos. Ele está detido em um hospital militar na capital e só pode deixar o local para ir ao tribunal onde corre o seu processo na Justiça. O ex-ditador está sendo julgado pelas mortes de mais 800 manifestantes.

Fim do estado de emergência

Na véspera do aniversário de um ano da revolução egípcia, o marechal Hussein Tantaoui, chefe do Conselho Supremo das Forças Armadas, anunciou o fim do estado de emergência. Em vigor há mais de 30 anos, ele restringia liberdades públicas e autorizava julgamentos em tribunais de exceção.

Os Estados Unidos disseram que este é um importante passo rumo à normalização da vida política no Egito. A Justiça do país determinou nesta quarta-feira a libertação de quase 2 mil prisioneiros, grande parte ex-manifestantes.

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