Afeganistão/EUA

EUA defende transferência de soldado que matou afegãos

Manifestantes queimam imagem de Barack Obama no Afeganistão
Manifestantes queimam imagem de Barack Obama no Afeganistão REUTERS/ Parwiz
Texto por: RFI
3 min

As forças armadas americanas justificam nesta quinta-feira a decisão de transferir o soldado que matou 16 civis afegãos em Kandahar, no Afeganistão, para um centro de detenção no Kuwait, apesar dos pedidos das autoridades afegãs para que ele fosse julgado no país.

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De acordo com o general Curtis Scaparrotti, o soldado poderá desta forma beneficiar de um processo "justo." O militar americano ressaltou que o governo afegão foi informado da decisão, e concordou com a medida. “É o que fazemos habitualmente, seguindo o protocolo, em caso de incidente grave”, declarou. Os familiares das vítimas do massacre pediram que o soldado fosse julgado no Afeganistão, e o presidente Hamid Karzai solicitou a abertura de um processo público.

O general americano também anunciou a morte de um afegão que tentou atacar militares na base de Camp Bastion, na chegada do chefe do Pentágono, Leon Panetta. Um tradutor afegão que tentou avançar sobre os soldados a bordo de um veículo acabou perdendo o controle do automóvel e caiu em um barranco. O carro pegou fogo e o homem morreu.

Em Kandahar, um deputado afegão que faz parte da comissão que investiga o massacre, declarou que se o soldado não for julgado no país a população vai se revoltar contra os militares americanos. Nesta quinta-feira, uma bomba foi colocada na beira da estrada e provocou a morte de pelo menos 13 civis, entre eles quatro mulheres e nove crianças, na província de Uruzgan. O atentado aconteceu em Uruzgan, no sul do Afeganistão.

Nesta manhã, cerca de mil pessoas manifestaram em Qalat, no sul do Afeganistão, contra o massacre ocorrido no domingo. Os protestos acontecem pouco depois de os Estados Unidos anunciarem que o autor do tiroteio foi retirado do país e levado para um local não divulgado. Com bandeiras brancas, símbolo do Islã, os manifestantes pediram às autoridades civis e religiosas que o soldado fosse julgado publicamente pelos crimes no Afeganistão.

Este foi o segundo protesto realizado nesta semana contra as mortes. O secretário de Defesa americano realiza umavisita ao país para tentar assegurar aos afegãos que o homem será julgado com rigor e uma investigação profunda vai apontar as causas da tragédia, conforme promessa feita pelo presidente Barack Obama.
 

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