Iraque/ Liga árabe

Árabes apoiam rebeldes sírios mas divergem sobre envio de armas

Líderes da Liga Árabe posam antes da sessão de abertura da cúpula em Bagdá, nesta quinta-feira.
Líderes da Liga Árabe posam antes da sessão de abertura da cúpula em Bagdá, nesta quinta-feira. REUTERS/Saad Shalash
Texto por: RFI
4 min

Os dirigentes árabes prestaram hoje solidariedade ao povo sírio, mas não demonstraram união sobre como ajudar a oposição do país a reagir à repressão armada imposta pelo regime do presidente Bashar al-Assad. Reunidos em Bagdá para tratar sobre o conflito na Síria, os líderes da Liga Árabe não chegaram a um consenso a respeito da possibilidade de armar os rebeldes.

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A Arábia Saudita e o Catar defenderam abertamente o envio de armas para os opositores, mas não estavam representados com nomes de peso do governo nas conversas, o que enfraquece a posição em termos diplomáticos. Já o Iraque, que havia 20 anos não recebia o encontro, se opôs a essa proposta.

“De acordo com a nossa experiência no Iraque, armar dois campos no conflito vai conduzir a uma guerra regional e internacional”, disse o premiê Nouri al-Maliki. “Isso abriria as portas para uma intervenção armada estrangeira na Síria, o que feriria a soberania de um país árabe irmão.”

Dez dos 20 chefes de Estado convidados estavam presentes na reunião. A Síria está suspensa da Liga Árabe devido à repressão da oposição, que ao longo de mais de um ano de conflito já deixou mais de 9 mil mortos, segundo a ONU.

Com exceção da Tunísia, nenhum dos países pediu claramente a saída do presidente sírio do poder. “É preciso aumentar a pressão e convencer os últimos aliados de que este regime está morto, que é preciso acabá-lo”, defendeu o presidente da Tunísia, Moncef Marzouki.

Já o presidente do Conselho Nacional de Transição da Líbia, Mustafa Abdeljalil, pediu que “os países árabes adotem uma posição forte para regularizar a situação na Síria”. A presença de Abdeljalil ilustra a onda de mudanças na região depois do início da Primavera Árabe: na última cúpula da Liga – realizada na Síria -, quem representava a Líbia era o ex-ditador Muammar Kadafi.

Em uma declaração comum, os dirigentes devem “apoiar o desejo legitimo de liberdade e de democracia do povo sírio, que quer escolher o seu destino, e a transferência pacifica de autoridade” no país. “A solução desta crise está nas mãos dos sírios, tanto do governo como da oposição”, afirmou o secretário-geral da entidade, Nabil Elarabi.

Al-Assad aceita plano de Annan, mas com reservas

Enquanto isso, o presidente sírio voltou a afirmar que aceita o plano de saída de crise elaborado pelo enviado da ONU e da Liga Árabe para o país, Kofi Annan, e “não poupará esforços para o sucesso da missão”. Entretanto, mas al-Assad exige que o apoio externo aos rebeldes sírio cesse.

“Os Estados que apoiam os grupos armados fornecendo dinheiro e armas devem parar de fazê-lo imediatamente”, disse a mensagem do ditador. Ele se referia particularmente aos “países vizinhos que abrigam grupos armados e facilitam as operações terroristas na Síria”.

A reivindicação foi feita através de uma carta enviada para os países emergentes, reunidos em Nova Délhi (Índia). Na terça-feira, al-Assad já havia aceitado “em princípio” o plano de Annan, que prevê o fim dos combates, a retirada das forças do Exército dos centros urbanos, a abertura do diálogo com a oposição e o envio de ajuda humanitária internacional às regiões que sofreram bombardeios no país.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou mais um apelo para al-Assad aplique a proposta de Annan o mais rápido possível. Os Estados Unidos acusaram hoje o governo sírio de não estar cumprindo o plano. Somente hoje, pelo menos 14 civis foram mortos pela violência da repressão.

 

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