Coreia do Norte/Foguete

Coreia do Norte pode lançar foguete a qualquer momento

Foto de satélite desta segunda-feira mostra o foguete norte-coreano Tongchang-ri.
Foto de satélite desta segunda-feira mostra o foguete norte-coreano Tongchang-ri. REUTERS/DigitalGlobe/Handout

A Coreia do Sul, o Japão e as Filipinas estão em estado de alerta máximo para o lançamento iminente de um foguete da Coreia do Norte, suspeito de ocultar um novo teste de míssil balístico nuclear. O lançamento do foguete é apresentado pelo regime comunista como uma operação para colocar em órbita um satélite para fins científicos. O período previsto para o lançamento coincide com as celebrações do centenário de nascimento do fundador da Coreia do Norte.

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Em uma iniciativa rara e considerada suspeita pela comunidade internacional, o novo regime, encabeçado pelo herdeiro Kim Jong-Un, concedeu vistos a 200 jornalistas estrangeiros. Oficialmente, o convite coincide com as celebrações, neste domingo dia 15, do centenário de nascimento de Kim il-Sung, o fundador da República Popular Democrática da Coreia do Norte.

Mas o maior interesse da imprensa internacional é acompanhar o lançamento do satélite de observação terrestre Kwangmyongson-3, em homenagem a um herói nacional morto em 1994. O lançamento foi anunciado para ser realizado entre os dias 12 e 16 de abril. Os Estados Unidos e seus aliados sul-coreanos, japoneses e europeus acusam a Coreia do Norte de preparar um teste de míssil balístico.

Para desmentir essas acusações, os jornalistas estrangeiros foram autorizados pela primeira vez a visitar, no dia 8 de abril, o Centro Espacial de Tongchang-ri, no noroeste do país, onde ele puderam ver de perto o satélite e o foguete Unha-3. Na quarta-feira, a imprensa teve acesso inédito ao Centro de Contrôle de Satélites na região norte da capital, Pyongyang, controlada pelo exército.

Especialistas franceses e norte-americanos que participaram da visita indicaram que o regime mostrou à imprensa um foguete-lançador e um satélite e descartaram a hipótese de um tiro militar.

Ao constatar a presença dos responsáveis dos programa espacial norte-coreano na mídia internacional, o departamento de estado norte-americano alertou muitos órgãos de imprensa para não serem instrumentalizados a divulgar propaganda do regime comunista.

"Nossa preocupação evidente é que os norte-coreanos possam utilizar (a operação) com o objetivo de divulgar a propaganda e que a mídia, ao fazer uma ampla cobertura, entre no jogo deles”, disse a porta-voz Victoria Nuland.

Durante as duas visitas organizadas para a imprensa estrangeira, os meios de comunicação oficial do regime filmaram e fotografaram os jornalistas e divulgaram notícias de que eles ficaram convencidos de que a Coreia do Norte está lançando um satélite para fins civis.

Os reponsáveis pela visita afirmaram que a decisão de abrir os locais para os jornalistas faz parte de uma operação de “transparência” decidida pelo novo dirigente do país, Kim Jong-Un, nomeado na última quarta-feira como líder do Partido do Trabalho da Coreia do Norte e da Comissão militar e central do partido.

Kim Jong-Un, de menos de 30 anos de idade, já havia assumido desde a morte do pai, em dezembro, o comando supremo das Forças Armadas da Coreia do Norte que conta com um efetivo de 1,2 milhão de homens. Segundo especialistas, as nomeações concluem o processo de transferência total do poder dentro do partido a Kim Jong-Un.

Testamento

Segundo informações publicadas nesta segunda-feira pela revista japonesa Shukan Bunshun, o ex-líder norte-coreano Kim Jong-Il, morto em dezembro aos 65 anos, deixou em seu testamento uma orientação expressa para que a Coreia do Norte continue a desenvolver armas nucleares, biológicas e mísseis balísticos.

"Mantenham em mente que o desenvolvimento permanente e a conservação de armas nucleares, de mísseis balísticos e de armas biológicas são a única maneira de manter a paz na península coreana. Não baixem a guarda”, escreveu o ex-número 1 do regime, segundo a revista.

As informações foram recolhidas por um dirigente de um centro de investigação sul-coreano que afirmou ter tido acesso a uma fonte muito próxima das autoridades do regime. Por isso, as informações sobre o testamenteo são tratadas como confiáveis.
 

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