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FMI/Reunião

FMI ganha reforço de caixa mas polêmica sobre direito de voto continua

Reunião do FMI, em Washington.
Reunião do FMI, em Washington. Reuters/Jonathan Ernst
3 min

Depois do anúncio de um reforço de 430 bilhões de dólares em seu caixa, sendo a maior parte de contribuição dos europeus, os países membros do FMI se reúnem neste sábado para discutir as novas orientações para a instituição. A influência dos europeus no Fundo Monetário Internacional desencadeou críticas de muitos países emergentes, como o Brasil que defende uma melhor distribuição das quotas de participação no órgão.

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A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, comemorou o reforço no caixa da instituição. “ Isto representa quase o dobro da capacidade do Fundo, o que demonstra a verdadeira determinação da comunidade internacional de se dotar de instrumentos para resistir e se defender diante de crises”, disse Lagarde.

A contribuição para o FMI não diminuiu a polêmica sobre o debate sobre a necessidade de reformar a representatividade dos estados membros no Fundo. Durante a reunião, em Washington, o ministro brasileiro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a criticar o sistema de quotas-parte, ou seja, a contribuição permanente no capital do FMI que determina os direitos de voto. Segundo ele, o sistema é cheio de “anomalias”.

Em uma declaração escrita encaminhada à direção do FMI, Guido Mantega lembrou que a contribuição do Brasil equivale à da Holanda e a da Espanha, “por incrível que pareça, é maior que o total de um conjunto de 44 países da África subsahariana”.

“Não é preciso reinventar a roda”, defendeu Mantega, mas o Brasil luta para que as quotas-parte sejam baseadas no PIB, que atualmente é apenas uma variável na equação.

Para o ministro sul-africano da Economia, Pravin Gordhan, que representou 21 países da região, as reformas dos direitos de voto no Fundo só diminuíram o poder da África. “Não podemos contar com a África Subsahariana para continuar a apoiar as reformas que buscam legitimar o FMI, mas ao mesmo tempo, prejudicando a representatividade de um grande número de países”, afirmou.

A ministra dinamarquesa, Margrethe Vestager, cujo país exerce a presidência rotativa da União Europeia, assegurou que Europa trabalha para cumprir seu compromisso de reduzir em duas cadeiras, a representatividade do bloco no Conselho de administração. Mas ela lembrou que o reequilíbrio do direito de voto depende da ratificação pelos parlamentos locais de uma reforma adotada em 2010. Segundo Vestager, os europeus têm "consciência da necessidade das reformas no FMI".

A expectativa é com relação ao maior contribuinte do Fundo, os Estados Unidos. O país precisa dar o sinal verde para o FMI seguir adiante com a reforma que poderia dar mais poder na instituição aos países emergentes, em detrimento, principalmente dos europeus. Um representante americano indicou na sexta-feira que o governo ainda não tinha decidido quando iria propor ao Congresso o voto sobre o assunto.
 

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