Síria/crise

Estados Unidos temem avanço de radicais islâmicos entre rebeldes sírios

Hillary Clinton discursa em Zagreb, após encontro com o presidente croata Ivo Josipovic. Ela fez duras críticasao Conselho Nacional Sírio
Hillary Clinton discursa em Zagreb, após encontro com o presidente croata Ivo Josipovic. Ela fez duras críticasao Conselho Nacional Sírio REUTERS/Saul Loeb/Pool

A morte de 28 soldados, executados friamente e filmados pelos rebeldes sírios, aumentou ainda mais a preocupação dos americanos quanto ao avanço dos radicais islâmicos dentro do movimento de contestação sírio. Somente na quinta-feira, 96 pessoas morreram em conflitos na Síria, dos quais, 53 eram soldados leais ao regime de Bashar al-Assad. De acordo com Hillary Clinton, "radicais infiltrados estariam desviando as intenções e razões do combate legítimo da maioria dos rebeldes".

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Em visita ao balcãs, a secretária de estado americana afirmou que o Conselho Nacional Sírio não poderia mais ser considerado como um dirigente legítimo da oposição, capaz de resistir à violência do regime sírio. O Conselho Nacional Sírio foi formado para estabelecer diálogo entre a oposição, o regime do presidente Bashar al-Assad e os mediadores internacionais. A chefe da diplomacia americana diz que é necessário encontrar uma oposição unida e plural, que poderá evitar o avanço do radicalismo islâmico.

Em sua passagem pela Croácia, Hillary Clinton pediu que os sírios formem uma oposição capaz de incluir os sírios do interior e todos aqueles que estão na linha de frente dos combates. Segundo ela, o CNS não seria capaz de formar uma oposição, já que líderes do conselho são exilados que não voltam ao país há mais de 20 anos. " A oposição continua bastante dividida e o CNS, como interlocutor do regime, não consegue mais impor a sua credibilidade", declarou Clinton.

As potências ocidentais pedem, há meses, que a oposição se una para propor a formação de um governo de transição, formado por todas as comunidades, sensibilidades e regiões do país. Washington insiste, por exemplo, que minorias, como os alauítas (etnia à qual pertence o presidente Bashar al-Assad e representa 10% da população), os curdos e os cristãos (5% dos sírios) sejam representadas em um novo governo. Os Estados Unidos, assim como a aliada Turquia, temem que os curdos cheguem ao poder na Síria e favoreçam o crescimento do radicalismo islâmico sunita no país.

O objetivo dos americanos, europeus e aliados árabes é resolver o impasse sírio por meio de quatro etapas: favorecer a criação de uma oposição unida, plural e democrática, que seria uma alternativa ao avanço do radicalismo islâmico; formar uma classe política, a partir das zonas controladas pelos rebeldes; mostrar à Rússia e a China (que vetam no Conselho de Segurança da ONU uma intervenção militar na Síria) alternativas viáveis para o fim do conflito e, apresentar à comunidade internacional um plano de transição política.

Uma reunião da oposição síria está prevista para a próxima semana, em Doha, no Catar, organizada pela Liga Árabe. Segundo Hillary Clinton, "somente os sírios poderão escolher os seus futuros dirigentes". Entretanto, a chefe da diplomacia americana já teria afirmado que nomes e organizações foram sugeridos pelos Estados Unidos, para a formação de um futuro governo.

Em resposta às declarações de Hillary Clinton, o presidente do CNS, Abdel Basset Saida, disse que a "comunidade internacional" seria responsável pelo avanço do radicalismo islâmico na Síria. De acordo com Saida, "falta apoio dos ocidentais ao povo sírio".

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