Síria/ violência

Rebeldes sírios atacam bases militares e rejeitam diálogo com regime

Manifestantes tomaram as ruas de Daria, perto da capital Damasco, nesta sexta-feira. A foto foi divulgada hoje por opositores.
Manifestantes tomaram as ruas de Daria, perto da capital Damasco, nesta sexta-feira. A foto foi divulgada hoje por opositores. REUTER/Fadi Derani/Shaam News Network/Handout

Na véspera de uma reunião importante da oposição síria no Catar, os rebeldes sírios atacaram neste sábado uma base aérea e um aeroporto militar da região de Idleb, noroeste da Síria, e ocuparam vários edifícios públicos nos subúrbios de Damasco, matando 21 soldados, segundo fontes da oposição. Cerca de 20 dirigentes rebeldes se recusaram hoje a dialogar com o regime sem que o presidente Bashar al-Assad deixe o poder.

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"Na província de Idleb, os rebeldes tomaram o controle durante várias horas da base de defesa aérea de Duila", afirmou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). Um oficial das tropas do regime morreu nos confrontos, que também deixaram oito rebeldes feridos, segundo a ONG.

Os insurgentes levaram armas e munições e deixaram a base quando a aviação começou a bombardear o local. Combates violentos também foram registrados em torno do aeroporto militar de Taftanaz, na província de Idleb, de onde decolam os aviões que bombardeiam as cidades da região. A oposição tenta tomar o controle do aeroporto, uma posição estratégica importante, e conseguiu pegar toneladas de armamentos pesados do local, antes que o regime começasse a bombardeá-lo, afastando os rebeldes.

Em Duma, 13 km ao nordeste de Damasco, os guerrilheiros tomaram na sexta-feira uma delegacia, um prédio municipal e um hospital que estavam sob o controle dos militares. Vinte e um soldados morreram nos combates, segundo o OSDH.

O conflito se mostra cada vez mais violento, de ambos os lados. Ontem, a divulgação de um vídeo em que os rebeldes sírios aparecem matando a sangue frio 28 soldados do regime provocou condenações da comunidade internacional. Em represália, hoje os apoiadores do presidente publicaram imagens, gravadas há vários meses, de opositores sendo mortos e tendo as orelhas decepadas por soldados. Somente hoje, pelo menos 34 pessoas morreram no país em decorrência da guerra civil, depois de outras 181na sexta-feira.

Reunião da oposição

Enquanto a rebelião registra relativo sucesso em campo, os dirigentes da oposição têm dificuldades em se coordenar. Amanhã acontece em Doha, no Catar, uma reunião da qual participarão membros exilados do Conselho Nacional Sírio e outros dirigentes independentes, sob a observação da Liga Árabe.

De acordo com informações não confirmadas, eles poderiam nomear a formação de um governo no exílio, comandado por um veterano da oposição, Riad Seif. Reunidos hoje em Ammal, cerca de 20 opositores – inclusive Seif – declararam se opor a qualquer dialogo com o regime sem que Assad deixe o poder. Ao mesmo tempo, o regime afirmou, por meio do jornal oficial As-Saura, que não negociaria com o CNS, qualificado de grupo de “mercenários”.
 

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