Reino Unido/Síria

Reino Unido vai dialogar com grupos armados da oposição síria

Em viagem oficial ao Oriente Médio, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, encontrou-se com o rei da Jordânia, Abdullah II, no Palácio Real em Amman.
Em viagem oficial ao Oriente Médio, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, encontrou-se com o rei da Jordânia, Abdullah II, no Palácio Real em Amman. REUTERS/Majed Jaber

Depois de sugerir a concessão de um salvo-conduto para o presidente Bashar al-Assad deixar a Síria em segurança, o premiê David Cameron informou ter autorizado representantes do governo britânico a dialogar com grupos armados da oposição síria. O emissário especial John Wilkes foi encarregado de organizar reuniões com as lideranças rebeldes, provavelmente num terceiro país.

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Em seu último dia de visita ao Oriente Médio, Cameron visitou hoje um campo de refugiados sírios no norte da Jordânia e anunciou que vai triplicar a ajuda financeira do governo britânico aos refugiados. A contribuição britânica poderá chegar a US$ 80 milhões.

Em entrevista ao canal de TV Al Arabyia, Cameron declarou que é preciso pensar numa forma de ajudar a oposição síria, aumentar a pressão sobre Bashar al-Assad e trabalhar em parceria com os países da região para pôr fim ao banho de sangue.

O premiê conservador afirmou ainda que encerrado o processo eleitoral nos Estados Unidos, ele pretende discutir rapidamente com Barack Obama um meio de superar o impasse que penaliza a população síria e toda a região.

A guerra civil na Síria entre defensores e opositores do regime não dá o menor sinal de enfraquecimento. Ontem, mais 131 pessoas morreram nos combates, alongando a lista funesta de 36 mil mortos desde o início da rebelião em março do ano passado.

Chanceler britânico

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, anunciou em uma declaração escrita ao Parlamento inglês que autorizou seus funcionários a entrarem em contato direto com uma lista de representantes, incluindo autoridades militares da oposição armada.

"Isso vai nos ajudar a compreender melhor a situação da Síria e as relações entre os grupos de oposição políticos e os grupos armados a fim de apoiar melhor a transição política", explicou o chanceler. Ele disse ainda que esses contatos acontecerão em um terceiro país e que não se cogita armar esses grupos.

"Nosso objetivo é encorajar os grupos da oposição na Síria a se unirem em torno de uma visão comum de uma Síria estável e democrática", declarou o ministro. "Durante esses contatos, os meus representantes vão insistir na importância de respeitar os direitos humanos, rejeitar o radicalismo e o terrorismo e trabalhar para uma transição política pacífica", acrescentou. 

William Hague também informou que serão realizadas discussões nesta quinta-feira em Doha entre os membros dos diferentes grupos da oposição síria e o Reino Unido, a França, a Turquia, os Estados Unidos e outros parceiros internacionais. 

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