Síria/oposição

Coalizão de oposição síria terá sede no Cairo e não é reconhecida por radicais

O novo chefe da oposição síria, Ahmad Moaz al-Khatib.
O novo chefe da oposição síria, Ahmad Moaz al-Khatib. REUTERS/Asmaa Waguih/Files

A nova Coalizão de oposição síria, formada há uma semana em Doha, terá sua sede no Cairo, anunciou segunda-feira seu presidente Ahmad Moaz Al-Khatib em entrevista à agência oficial egípcia Mena. “Ficou decidido que a Coalizão nacional síria terá seu quartel-general no Egito”, declarou Al-Khatib à agência depois de discutir o assunto com o chanceler egípcio, Mohammed Kamel Amr.

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O Ministro das Relações Exteriores do Egito expressou a esperança de que seu país “ forneça todo tipo de assistência à Coalizão no futuro”.

Os diferentes grupos de oposição ao presidente Bashar Al-Assad se uniram e assinaram no dia 11 de novembro, em Doha, no Catar, um acordo sobre a constituição de uma “Coalizão Nacional síria” com o objetivo de lutar contra o atual regime de Damasco. A Liga Árabe, que tem sede no Cairo, reconheceu a Coalizão como “representante legítima da oposição síria”.

Oposição à coalizão

Segundo um vídeo divulgado pela internet, grupos islamitas armados, especialmente os dois mais importantes, Liwaa al-Tawhid e Front al-Nosra, que combatem em Aleppo, anunciaram que rejeitam a Coalizão e se disseram favoráveis a um estado islâmico na Síria.

" Nós, facções combatentes na cidade de Aleppo e sua província, anunciamos nossa rejeição ao complô que representa a chamada Coalizão nacional e defendemos, de maneira unânime, a instauração de um Estado islâmico justo”, afirmaram em um texto lido por um militante e gravado em vídeo.

Entre as 14 organizações signatárias deste apelo estão principalmente Liwa al Tawhid, Front al-Nosra e Kataëb Ahrar Cham. Liwa al-Tawhid, que no início era próxima da Irmandade Muçulmana, se radicalizou com o passar do tempo. A Front al-Nostra pertence a um movimento da Jihad islâmica e já reivindicou numerosos ataques contra o regime sírio, e o Kataëb Ahrar Cham é da corrente salafista.

"Nós recusamos todos os planos do exterior, sejam eles das coalizões ou de conselhos (em alusão ao Conselho Nacional Sírio) que nos são impostos, sejam de onde for”, afirmaram.

No vídeo divulgado pela internet, aparecem cerca de 30 homens ao redor de uma mesa. Atrás do homem que leu a mensagem estava uma bandeira preta onde se lia: “não há outro deus senão Deus”, e um exemplar do Alcorão em sua frente.

Depois da leitura do texto, as imagens mostram um outro homem exibindo o livro sagrado dos muçulmanos e fazendo um apelo para que o Alcorão seja a constituição do país.
 

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