Turquia/Conflito

Governo turco anuncia discussões com separatistas curdos

Partidários do partido para a paz e a democracia, pró-curdos, carregam o retrato do fundador do PKK, Abdullah Ocalan, durante um congresso em Ankara noano passado.
Partidários do partido para a paz e a democracia, pró-curdos, carregam o retrato do fundador do PKK, Abdullah Ocalan, durante um congresso em Ankara noano passado. AFP PHOTO / ADEM ALTAN

O ministro turco da Justiça anunciou nesta segunda-feira a abertura em breve de discussões entre as autoridades de Ankara e os separatistas do Partido dos trabalhadores do Curdistão (PKK), um dia depois do encerramento de uma greve de fome seguida por centenas de prisioneiros há mais de dois meses.

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O ministro Sadullah Ergin não especificou onde e quando essas discussões vão acontecer, mas negociações secretas com o PKK á foram organizadas em Oslo nos últimos anos.

Em setembro, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, havia mencionado a possibilidade de novas negociações. "Essas discussões aconteceram quando foram consideradas necessárias no passado, e vão acontecer novamente no futuro", declarou o ministro da Justiça.

Em respostas ao apelo de seu líder detido na Turquia, Abdullah Ocalan, cerca de 1700 prisioneiros curdos encerraram neste domingo sua greve de fome após 68 dias de jejum.

Mais de 40 mil pessoas já morreram em confrontos e atentados desde que os separatistas curdos do PKK decidiram recorrer às armas em 1984.

Os combates entre militantes curdos e o exército turco fizeram mais de 700 mortos desde as eleições de junho de 2011. Esse é o balanço de vítimas mais alto em um período de tempo comparável desde a prisão de Abdullah Ocalan em 1999, segundo um recente relatório da organização International Crisis Group.

O governo de Ankara credita essa intensificação da violência ao conflito na Síria e acusa o presidente BAshar al-Assad de fornecer armas ao PKK.

Abdullah Ocalan, fundador do PKK, pediu no sábado, por intermédio de seu irmão, a suspensão da greve de fome, iniciada para protestar contra a manutenção do líder em isolamento.

Segundo um jornal turco, esse apelo foi feito depois de uma série de discussões entre o chefe rebelde e integrantes da inteligência turca, que foram conversar com ele na sua prisão da ilha de Imrali, no mar de Mármara.

O apelo de Ocalan deixa supor que um acordo foi concluído com as autoridades turcas no que diz respeito a essa greve de fome, que estava se tornando um problema para o premiê Recep Tayyip Erdogan.
 

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