EUA/Ásia

Obama denuncia violação de direitos humanos no Camboja

O presidente norte-americano, Barack Obama, com o primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, nesta segunda-feira em Phnom Penh.
O presidente norte-americano, Barack Obama, com o primeiro-ministro cambojano, Hun Sen, nesta segunda-feira em Phnom Penh. REUTERS/ Samrang Pring

Barack Obama enfatizou nesta segunda-feira, durante um encontro "tenso" com o primeiro-ministro cambojano, que as violações aos direitos humanos são um "obstáculo" ao aprofundamento das relações entre os Estados Unidos e o Camboja. O encontro aconteceu algumas horas após uma visita histórica do presidente americano a Rangun.

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Barack Obama é o primeiro presidente americano em exercício a visitar o Camboja, mas ele fez a viagem para participar de uma cúpula asiática organizada na capital Phnom Penh. Sua reunião com o anfitrião do evento, o premiê Hun Sen, se concentrou no tema dos direitos humanos, explicou Ben Rhodes, conselheiro adjunto para questões de segurança nacional.

Obama "começou dizendo que sua viagem a Mianmar era a prova" que "os países que avançam no caminho das reformas políticas e melhoram o respeito pelos direitos humanos" podem ter benefícios, afirmou Ben Rhodes.

O presidente enfatizou sobretudo a necessidade de eleições justas e livres e da libertação dos prisioneiros políticos. "Ele disse que esse tipo de problema era um obstáculo ao aprofundamento das relações bilaterais entre os Estados Unidos e o Camboja", expilcou o conselheiro.

Mas os cambojanos imediatamente rejeitaram as acusações americanas, garantindo que são vítimas de uma "campanha para manipular a verdade". 

"Essa campanha de manipulação insinua que o Camboja se tornou pior que Mianmar", declarou Prak Sokhon, ministro-adjunto do premiê Hun Sen. Durante o encontro, "o primeiro-ministro enfatizou que não há prisioneiros políticos no Camboja, mas sim políticos culpados", acrescentou ele.

Barack Obama mencionou o caso de um diretor de uma rádio recentemente condenado. Mam Sonando, um franco-cambojano de 71 anos, opositor do governo e proprietário da rádio independente Beehive, foi condenado em outubro a 20 anos de prisão depois de ter sido considerado culpado de complô secessionista.

Antes da chegada de Obama a Phnom Penh, várias manifestações haviam sido organizadas para pedir ajuda. Os manifestantes carregavam bandeiras com a foto do presidente americano e a mensagem "SOS". Eles queriam em particular chamar a atenção de Obama para as expulsões forçadas ligadas a litígios em matéria de propriedade fundiária, um grande problema no Camboja.

As organizações de defesa dos direitos humanos denunciam uma intensificação da repressão aos dissidentes e Human Rights Watch pediu há alguns dias que Barack Obama pressionasse Hun Sen, no poder desde 1985, para que ele coloque um fim a anos de regime "violento e autoritário".

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