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Israel/Gaza/Trégua

EUA devem aproveitar trégua em Gaza para impulsionar processo de paz

Hillary Clinton e Mohamed Morsi no Cairo, nesta quarta-feira 21 novembro de 2012.
Hillary Clinton e Mohamed Morsi no Cairo, nesta quarta-feira 21 novembro de 2012. REUTERS/Egyptian Presidency/Handout
Texto por: RFI
3 min

A intervenção decisiva dos Estados Unidos para obter um cessar-fogo entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza demonstra que Washington não pode ignorar as tensões no Oriente Médio. Analistas estimam que o presidente Barack Obama deveria aproveitar o momento para tentar retomar as negociações de paz, ajudado pelo presidente islamita do Egito, Mohamed Mursi, que saiu fortalecido da mediação.

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Os oito dias de hostilidades entre Israel e grupos radicais islâmicos da Faixa de Gaza deixaram 163 palestinos mortos e seis israelenses. O cessar-fogo entrou em vigor à meia noite desta quinta-feira e tem sido cumprido pelas duas partes. Após gestões diplomáticas tensas, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e seu colega egípcio, Mohamed Kamel Amr, anunciaram o acordo reconhecendo que "este é um momento crítico para a região".

Segundo os termos do acordo, se o cessar-fogo se mantiver, as duas partes começarão a negociar nas próximas 24 horas a abertura das fronteiras de Gaza para a passagem de pessoas e mercadorias. Essa era uma das mais importantes reivindicações do Hamas. Os seis anos de bloqueio israelense, desde que o grupo islâmico chegou ao poder, acentuaram a pobreza no território palestino, sufocando a população de Gaza e comprometendo a gestão do Hamas.

A chefe da diplomacia americana declarou que de agora em diante o "foco deve estar em alcançar um resultado duradouro que promova a estabilidade regional e avanços na segurança, dignidade e legítimas aspirações tanto dos palestinos quanto dos israelenses". Hillary foi enviada às pressas a Jerusalém pelo presidente Obama, no momento em que realizava um importante giro pela Ásia, novo eixo prioritário da política externa americana.

A dúvida no ar é saber se Obama tratará esta última crise em Gaza "apenas como um incêndio" a ser apagado, ou se aproveitará o momento para forjar o processo de paz durante seu segundo mandato de quatro anos, comentou Daniel Kurtzer, ex-embaixador dos Estados Unidos em Tel Aviv e no Cairo. Em seu livro "Pathways to peace" (Caminhos para a Paz), Kurtzer considera que o status quo no Oriente Médio é insustentável.

O episódio também demonstrou que Washington, que olhava o novo líder egípcio com desconfiança por sua ligação com a Irmandade Muçulmana, pode confiar em Mursi para futuras negociações. Nos últimos dois dias da crise, Obama conversou cinco vezes ao telefone com o novo presidente egípcio, que chegou ao poder após 30 anos de reinado de Hosni Mubarak. A habilidade demonstrada por Mursi também evidenciou o quanto Mubarak estava desgastado.

"Se o Egito emerge fortalecido porque a trégua se mantém, isso pode reverter as condições existentes e neste ponto (Obama) pode decidir apostar em novas negociações de paz no Oriente Médio", disse à AFP Justin Vaisse, diretor de pesquisas na Brookings Institution.

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