Síria/Conflito

Rebeldes controlam uma parte importante do leste da Síria

Rebeldes ocupam área importante no leste da Síria, o único obstáculo para a libertação quase completa por parte dos rebeldes vai desde a fronteira turca à cidade de Aleppo.
Rebeldes ocupam área importante no leste da Síria, o único obstáculo para a libertação quase completa por parte dos rebeldes vai desde a fronteira turca à cidade de Aleppo. REUTERS/Omar Ezzdin/Shaam News Network/Handout

Os rebeldes sírios consolidaram o controle de uma parte importante do leste do país, ao longo da fronteira com o Iraque, ao tomarem na manhã desta quinta-feira uma cidade estratégica da região. A Rússia, principal aliada de Assad, se declarou contrária ao projeto da Turquia de instalar mísseis Patriot em sua fronteira com a Síria. Desde o início, em março de 2011, de uma revolta popular que se tornou guerra civil, a violência já deixou mais de 40 mil mortos, em sua maioria civis, de acordo com a ong Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

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Ao final de um cerco de três semanas e de uma ofensiva durante a qual ao menos seis soldados foram mortos, os rebeldes tomaram um campo militar próximo de Mayadine, segundo o OSDH, que afirma que o exército não está mais presente na cidade.

A rebelião tomou recentemente um outro bastião do exército de Bashar al-Assad, a base 46, no norte do país, perto da Turquia, mas perdeu a base de Cheikh Souleimane, em torno da qual o exército ganhou terreno na quarta-feira, sempre segundo o OSDH.

Cheikh Souleimane é atualmente o único obstáculo à "liberação" quase completa pelos rebeldes de uma grande área que se estende da fronteira turca até a metrópole de Aleppo, segunda maior cidade do país.

O regime, cujo exército tem dificuldade em enfrentar uma rebelião cada vez mais audaciosa, reduziu suas ambições territoriais para se concentral no sul, em Damasco, no centro da Síria e no noroeste, de acordo com analistas. Para esses especialistas, o objetivo dos militares fiéis a Assad é garantir o controle sobre certas posições para quando chegar a hora das negociações.

Mísseis na Turquia

Enquanto os vizinhos da Síria temem uma extensão do conflito além das fronteiras do país, o governo turco pediu que a Otan installe mísseis de defesa antiaérea Patriot em seu território.

Os Estados Unidos se disseram favoráveis a esse pedido, mas Berlim anunciou esperar que o parlamento alemão dê sinal verde até meados de dezembro e o governo holandês anunciou que estudaria "a possibilidade de uma contribuição".

Dos 28 membros da Otan, somentes esses três países possuem mísseis Patriot. Por sua vez, Paris avaliou que "não há razão para recusar".

O governo russo, grande aliado de Damasco, desaconselhou à Turquia a instalação de mísseis Patriot, pedindo que o país favoreça uma solução política.

A Turquia, que mobilizou reforços ao longo de seus 900 km de fronteira com a Síria, pediu a instalação desses mísseis com finalidade defensiva após ter sido alvo de vários tiros provenientes do território sírio.

Bombardeio

O exército retomou seus bombardeios do sul de Damasco e da zona rural em torno. Segundo o OSDH, seis civis, dois soldados e dois rebeldes morreram na manhã desta quinta-feira.

No nordeste do país, de maioria curda, centenas de combatentes rebeldes e curdos se concentram em Rass -al-Ain, perto da fronteira turca, palco de combates sangrentos no início da semana.

Nesta quarta-feira, 122 pessoas morreram vítimas da violência em todo o país, das quais 46 soldados, 37 civis e 39 rebeldes, segundo dados do OSDH, que conta com informações fornecidas por uma vasta rede de militantes e médicos.

 

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