Egito/Protestos

Egito vive nova turbulência política com decreto que ampliou poderes do presidente

Simpatizantes do presidente Mohamed Mursi celebraram nesta quinta-feira, no Cairo, a demissão do procurador-geral Abdel Maguid Mahmud.
Simpatizantes do presidente Mohamed Mursi celebraram nesta quinta-feira, no Cairo, a demissão do procurador-geral Abdel Maguid Mahmud.

Simpatizantes e opositores do presidente egípcio, Mohamed Mursi, próximo da Irmandade Muçulmana, convocaram manifestações rivais nesta sexta-feira, na cidade do Cairo. O ambiente voltou a ficar conturbado no Egito com a publicação de um decreto presidencial que impede a dissolução pela Justiça da Assembleia Constituinte e da Câmara Alta do parlamento egípcio (Conselho da Chura), ambas reivindicadas pela oposição. O decreto também deu novos poderes ao chefe de Estado.

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Para acalmar a tensão popular, Mursi pode fazer um pronunciamento hoje a fim de explicar as razões de suas decisões. Graças aos novos poderes concedidos por seu decreto, o presidente egípcio demitiu nesta quinta-feira o procurador-geral Abdel Maguid Mahmud, visto como um vestígio da época do ex-ditador Hosni Mubarak, e nomeou um sucessor.

Apresentado pela presidência egípcia como uma maneira de "proteger a revolução", o decreto neutraliza de fato cerca de 40 recursos contra a composição da Assembleia Constituinte, sobre os quais a alta corte constitucional deve dar um parecer. Os partidários da dissolução da Assembleia, dominada pelos islamistas, consideram ilegais as modalidades da sua formação ou julgam que ela perdeu sua legitimidade após a saída de vários integrantes laicos.

Diversos grupos de oposição assinaram durante a noite um texto comum convocando os egípcios a manifestarem nesta sexta-feira contra o presidente, acusado de ter "roubado do povo e das instituições todos os seus direitos e deveres". Os partidários de Mursi também pretendem se reunir na capital para expressar seu apoio ao dirigente.

Desde que foi eleito em junho primeiro presidente civil e islamita do Egito, Mursi acumula os poderes executivo e legislativo, além de manter relações tensas com boa parte do judiciário. Ele já tinha reforçado seus poderes em agosto, quando afastou do governo o ministro da Defesa de Mubarak, general Hussein Tantaoui, que controlou o Egito com mão forte durante a transição.

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