Meio Ambiente/relatório

China é o país que mais “devora” florestas tropicais, diz Ong

China face ao desmatamento e as plantações de monoculturas de árvores
China face ao desmatamento e as plantações de monoculturas de árvores Reuters

A sobrevivência dos principais "pulmões" do planeta depende cada vez mais da China, primeiro importador, exportador e consumidor de madeira do mundo e também o maior responsável pela exploração de florestas tropicais, de acordo com um relatório de uma ONG publicada nesta quinta-feira.

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Enquanto a década passada foi marcada pela adoção de medidas mais rigorosas por parte da União Europeia e dos Estados Unidos para combater o desmatamento ilegal, a China se compra um volume cada vez maior de madeira de origem duvidosa, afirma a a Agência de investigação do meio ambiente.

Os especialistas da Agência puderam identificar a rede ilegal ao se passarem por potenciais compradores e filmando com câmera escondida toda a etapa de discussão e negociação.

Eles demonstraram como gigantes estatais chinesas implantaram diversas filiais em países como Moçambique e Mianmar (ex-Birmânia) onde eles chegavam a corromper até as mais altas autoridades desses países. Em seguida, eles embarcavam troncos de madeira. “ De 80 a 90% das árvores cortadas em Moçambique vão parar na China”, explicou Julian Newman, um dos responsáveis pela Agência, durante uma entrevista coletiva.

Segundo a Ong, baseada em Londres, é sobretudo a demanda interior da China que alimenta a alta das importações do país que triplicaram a partir do ano 2000.

Os chineses têm especial interesse por madeiras tropicais nobres, como o jacarandá, para fazer móveis luxuosos, muito em voga no país.

Enquanto os grandes importadores e distribuidores ocidentais, sob pressão dos ecologistas e da opinião pública, tentam obter certificações sobre a origem da madeira que compram, os chineses não têm a mesma preocupação e foram os responsáveis por 30% do comércio de madeira à venda no mundo.

A Indonésia, que detém as maiores florestas tropicais do planeta depois do Brasil e do Congo, cedeu no passado ao apetite insaciável da China, mas modificou sua legislação em 2005 para combater o desmatamento ilegal.

“Os especialistas concordam que de nada adianta os progressos realizados pelos Estados Unidos, União Europeia ou Austrália se a China continuar a agir da mesma foram”, declarou um investigar da EIA.

Questionado sobre as conclusões do estudo, o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores declarou: “ a China é muito clara, nós somos totalmente contra o desmatamento ilegal e ao comércio ilegal de madeira”.
 

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