Tunísia/protestos

Confrontos violentos já deixaram 300 feridos na Tunísia

Manifestante lança pedras contra a polícia durante protestos em Siliana nesta quinta-feira , 29 novembre.
Manifestante lança pedras contra a polícia durante protestos em Siliana nesta quinta-feira , 29 novembre. REUTERS

Novos confrontos foram registrados nesta sexta-feira, entre manifestantes e policiais em Siliana, cidade no sudoeste da Tunísia, onde protestos violentos já deixaram mais de 300 feridos desde a última terça-feira. Os opositores ao governo atacaram com pedras um posto policial e as forças de ordem responderam com gás lacrimogênio. Houve perseguição nas ruas, repetindo o cenário de violência dos dais anteriores.

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Representantes da principal central sindical do país, a UGTT, apelaram para os manifestantes se dispersarem mas não foram atendidos. “ Voltem para suas casas, é perigoso. Eles (os policiais) vão disparar balas de verdade”, disse Abdesattar Manaï, um dos responsáveis regionais da UGTT.

Pela manhã, milhares de pessoas desfilaram nas ruas de Siliana e nenhum incidente foi registrado. Os manifestantes pedem a queda do governo local, o fim da violência policial e acesso ao programa de ajuda econômica à região fortemente atingida por uma crise econômica.

Em Tunis, centenas de pessoas manifestaram em uma das principais avenidas da cidade para demonstrar apoio aos moradores de Siliana. Os manifestantes exibiram slogans usados durante a revolução de janeiro de 2011 como  “o povo quer a queda do governo” e também “ emprego, liberdade e dignidade”.

“Nós sacrificaremos nossa alma e nosso sangue por Siliana”, gritavam os manifestantes a caminho do ministério do Interior.

As recentes manifestações demonstram que a Tunísia enfrenta uma nova onda de violência dias antes de celebrar o segundo aniversário da revolta popular que deu provocou a queda do ditador Ben Ali. O movimento teve início no dia 17 de dezembro, após um vendedor ambulante ter se imolado para denunciar sua miséria e o assédio sofrido por policiais.

As recentes manifestações sociais terminaram em violência e ataques organizados por grupos salafistas acontecem no momento em que o país vive um impasse político e não tem uma perspectiva clara em relação à uma nova Constituição para o país.

A Tunísia também vive um agravamento da situação econômica devido à instabilidade política e à crise na zona do euro.
 

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