Mali/França

Presidente Hollande anuncia envio de tropas francesas para combater islâmicos no Mali

Reprodução de um vídeo divulgado dia 9 de janeiro de 2013 que mostra rebeldes islâmicos no norte do Mali.
Reprodução de um vídeo divulgado dia 9 de janeiro de 2013 que mostra rebeldes islâmicos no norte do Mali. AFP PHOTO / SITE Monitoring Service

O presidente francês, François Hollande, confirmou nesta sexta-feira o envio de militares franceses ao Mali, para combater grupos armados islâmicos e apoiar as tropas locais. Hollande explicou que a decisão de intervenção, “respeitando a legitimidade internacional”, foi tomada com o acordo do presidente do Mali, Dioncounda Traoré.  

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O governo maliês pediu ajuda francesa na quinta-feira, após moradores de uma cidade no norte do país alertarem que os rebeldes, que controlam a maior parte do norte, que corresponde a dois terços do país, expulsaram tropas oficiais.

“O Mali enfrenta agressão de elementos terroristas vindos do norte, conhecidos pela brutalidade e fanatismo”, declarou Hollande. “Portanto, em nome da França, respondi ao pedido de ajuda do presidente malinês, como apoio de países africanos do oeste”, acrescentou. O presidente francês disse ainda que a operação “vai durar o tempo que for necessário”.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas pediu ontem o "rápido envio" de uma força internacional ao Mali diante da "grave deterioração da situação" no país. As Nações Unidas solicitaram ainda que os países-membros "ajudem as forças de segurança do Mali a reduzirem a ameaça que representam as organizações terroristas". 

"O Conselho de Segurança enviou uma mensagem para tentar convencer os terroristas a não avançarem para o sul. Se os terroristas não escutarem essa mensagem, o conselho de segurança poderá se reunir novamente para reagir de maneira mais firme. Em relação às decisões da França, elas serão anunciadas pelas autoridades francesas", disse o embaixador da França na ONU Gerard Araud.

Além de ter pedido a ajuda da ONU, o presidente do Mali, Dioncounda Traoré, pediu, especialmente, ajuda à França. Em entrevista à televisão francesa  LCI, Kader Arif, ministro responsável pelos ex-combatentes, afirmou que as tropas francesas não vão tomar uma decisão  "precipitada". "Realmente há uma urgência. Acredito que haja um grande risco para a unidade territorial do Mali, mas, ao mesmo tempo, a precipitação não serviria para nada", declarou. Segundo o ministro, é preciso que as decisões sejam tomadas em nível internacional.

Segundo testemunhas no Mali, militares e aviões estrangeiros já desembarcaram na região de Sévaré (centro do Mali). Nenhum comunicado oficial, porém, citou a presença desse reforço estratégico em uma região próxima de Konna (a 600 km da capital Bamako), uma área que já está sob controle dos radicais islâmicos.

O Conselho de Segurança da ONU ainda não determinou a data para um eventual envio de tropas estrangeiras e o tipo de intervenção. De acordo com o FDR, movimento político malinês contra o golpe de Estado sofrido pelo governo do Mali em março do ano passado, até o momento a única certeza é que as forças internacionais estariam sob o comando da Cedeao (Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental ) e da União Africana.

 

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