Irã/AIEA

AIEA inicia nova inspeção nuclear no Irã

Chegada da delegação da AIEA, a agência de inspeção nuclear da ONU, ao Irã nesta quarta-feira, 16 de janeiro de 2012.
Chegada da delegação da AIEA, a agência de inspeção nuclear da ONU, ao Irã nesta quarta-feira, 16 de janeiro de 2012. REUTERS/Herwig Prammer

O Irã recebe hoje uma alta delegação da AIEA, a agência de Inspeções de Energia Atômica da ONU. O clima é de cautela, já que essa visita técnica antecede uma nova rodada de conversas no plano político. O impasse entre os inspetores da ONU e o governo do Irã continua a respeito do acesso a uma base militar, nos arredores de Teerã.

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Com a colaboração de Samy Adghirni, o correspondente do jornal Folha de São Paulo, especial para a RFI

Os inspetores da AIEA desembarcaram nesta manhã sem esperança de conseguir grandes avanços. O principal obstáculo envolve a base militar de Parchin, na periferia de Teerã. A agência da ONU suspeita que testes com explosões atômicas foram realizados neste complexo até 2003. Teerã já liberou o acesso a Parchin em 2005 e diz que não há razão para outra visita. Além disso, o Irã alega que o complexo não está sujeito a inspeções por ser uma base militar e não uma usina nuclear. Os inspetores temem que o Irã esteja limpando Parchin para eliminar eventuais rastros de explosão.

Já o Irã acusou os peritos da ONU de agirem como espiões a favor dos EUA e Israel. Mesmo assim, os dois lados continuam tentando restaurar a confiança. Especula-se que o Irã poderia usar uma eventual concessão à AIEA como barganha nas negociações diplomáticas. Em tese as agendas técnica e política não estão relacionadas, mas na prática sempre acabam sob influência uma da outra. Há quem diga que os iranianos poderiam permitir acesso a Parchin como sinal de boa vontade.

O Irã espera conseguir na próxima rodada de negociações um alívio às sanções cada vez mais pesadas que sufocam sua economia. A meta das metas para Teerã é obter um reconhecimento formal de seu direito de enriquecer urânio para fins pacíficos. Já as potências exigem que o Irã dê o primeiro passe e pare de enriquecer urânio a 20% para provar que não quer a bomba atômica.

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