Síria/Conflito

Assad condena ajuda britânica aos rebeldes sírios

Grande mesquita de Aleppo; a cidade é cenário de intensos combates entre rebeldes e tropas leais ao presidente Assad.
Grande mesquita de Aleppo; a cidade é cenário de intensos combates entre rebeldes e tropas leais ao presidente Assad. REUTERS/Malek Alshemali

O presidente sírio Bashar al-Assad se disse decidido a combater os rebeldes e a discutir com os opositores caso eles entreguem as armas. As forças de oposição conseguiram tomar neste domingo uma importante academia de polícia em Aleppo, após uma batalha que fez 200 mortos. Ahmed Moaz Alkhatib, presidente da Coalizão Nacional Síria, realizou domingo sua primeira visita ao país como chefe da oposição.

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"Nenhum patriota pode pensar em viver fora de seu país. Sou como todos os patriotas sírios", disse Assad ao jornal britânico Sunday Times, excluindo novamente a possibilidade da sua partida, como exigem a oposição, os países ocidentais e vários países árabes, a fim de permitir uma transição política.

Seu principal aliado regional, o Irã, chegou a anunciar neste sábado a participação de Assad na eleição presidencial prevista para 2014.

"Podemos começar um diálogo com a oposição, mas não com os terroristas", disse Assad na entrevista, que foi filmada em sua residência em Damasco na semana passada. A oposição síria recusa qualquer diálogo que não leve à saída do presidente do poder.

O presidente sírio também disse lamentar pelas vítimas do conflito, que já são mais de 70 mil, segundo a ONU. Ele aproveitou para criticar a atitude de Londres em relação aos rebeldes. "Como podemos esperar que eles [os britânicos] reduzam a violência enquanto pretendem enviar material militar aos terroristas e não tentam facilitar o diálogo entre os sírios."

Em reação a essas declaração, o chanceler britânico, William Hague, acusou Assad de "estar delirando" ao se negar a admitir a sua responsabilidade no "massacre" de seu país. O conflito completa dois anos no próximo dia 15.

O presidente Assad também não excluiu a possibilidade de seu regime responder ao ataque aéreo israelense que, segundo fontes americanas, teria visado em janeiro alvos militares perto de Damasco: "Fazer represálias não significa que vamos devolver míssil por míssil e bala por bala. Não temos que anunciar qual será nossa maneira de proceder", disse.

Oposição

Ahmed Moaz Alkhatib, presidente da Coalizão Nacional Síria, fugiu do país em 2012, depois de ter sido preso várias vezes pelo regime de Assad. Ele entrou no norte da Síria passando pela Turquia e visitou neste domingo as cidades de Jarablus e Menbej, a fim de estreitar os laços com os rebeldes que lutam contra as forças de Bashar al-Assad.

Antes disso, o presidente da CNS participou na Turquia de uma reunião de mais de 220 comandantes rebeldes e militantes de oposição da província de Aleppo, onde vive cerca de 30% da população total da Síria. O objetivo era eleger um executivo local para essa região, que segundo a oposição escapa em grande parte ao controle do regime de Damasco.

A rebelião teve neste domingo uma vitória importante na área ao tomar o controle quase total de uma academia de polícia do norte de Aleppo, após combates que mataram em oito dias 120 soldados e policiais e 80 rebeldes, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos.

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