Egito

Justiça do Egito condena 21 torcedores à morte após massacre em estádio

Torcedores dp Al-Ahly manifestam após julgamento que condenou 21 torcedores à morte
Torcedores dp Al-Ahly manifestam após julgamento que condenou 21 torcedores à morte REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

O Tribunal do Cairo confirmou a pena de morte para 21 torcedores de equipes de futebol, envolvidos no tumulto do estádio de Port-Saïd. Na capital do Egito, a sede da Federação egípcia de futebol foi incendiada, além de prédios pertecentes à um clube de futebol da polícia local. No fim de janeiro, mais de 30 pessoas foram mortas em protestos contra as primeiras condenações anunciadas pela justiça.

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O julgamento foi transmitido ao vivo para as tevês e rádios do país. A Justiça confirmou neste sábado(9) as condenações à morte pronunciadas no início do ano. Os juízes também anunciaram novas penas de prisão perpétua a outros cinco acusados. Setenta e três pessoas foram julgadas pelo crime de assassinato premeditado no processo que foi aberto em abril de 2012. Dois meses antes, no dia primeiro de fevereiro, torcedores se enfrentaram nas dependências do estádio e invadiram o gramado para agredir os jogadores, no final da partida entre as equipes do Al-Ahly e do Al Masry de Port-Saïd. O jogo foi realizado na cidade de Port-Saïd, às margens do Canal de Suez, no nordeste do país. Dezenas de torcedores foram mortos pisoteados pela multidão que tentava sair do estádio depois que torcedores do Al Masry invadiram o gramado.

Prédios incediados no Cairo

Torcedores do time da capital, o Al-Ahly, conhecidos como os Ultras, invadiram o clube de futebol da polícia do Cairo e incediaram as dependências do local. Vizinhos do clube utilizavam mangueiras na tentativa de apagar as chamas. Outros prédios também foram depredados. No mesmo bairro, a sede da Federação Egípcia de Futebol também foi incendiado. Centenas de Ultras se concentraram na frente do prédio do ministério do Interior para protestar, a poucos metros da famosa Praça Tahrir, no centro da cidade.

Port-Saïd sob tensão

A polícia foi acusada de passividade por moradores da cidade diante das tensões provocadas pelo julgamento dos torcedores. Outros egípcios acusam que os protestos e incêndios foram provocados por partidários do ex-presidente Hosni Mubarak, com o intuito de acirrar as tensões entre grupos políticos rivais do país.

Apenas nove dos 15 policiais julgados de terem provocado o drama de Port-Saïd foram condenados, cada um a 15 anos de prisão. Dentre eles, o general Issam Samak e o general de brigada Mohamed Saad, que detinha as chaves dos portões do estádio no dia do tumulto. Mesmo após o início da confusão, os portões continuaram fechados.

As lojas do centro da cidade de Port-Saïd foram fechadas, por causa dos protestos da manhã desta sábado. Os manifestantes se dirigiram ao Canal de Suez,  para onde blindados do exército foram deslocados, na entrada da cidade.

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