Síria/crise

Liberados os 21 observadores da ONU capturados na Síria

Funcionário filipino da ONU orienta um motorista na fronteira entre a Síria e Israel
Funcionário filipino da ONU orienta um motorista na fronteira entre a Síria e Israel REUTERS/Baz Ratner

O grupo de 21 filipinos, das Nações Unidas, foi capturado pelos rebeldes em um vilarejo no sul da Síria, na última quarta(6). Eles foram liberados neste sábado(9) e encaminhados para a Jordânia.

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"Eles chegaram na Jordânia e serão mantidos no nosso solo", disse o porta-voz do governo jordaniano, Samih Maaytah. A embaixatriz das Filipinas em Amã (capital da Jordânia), Olivia Palala, recebeu pessoalmente os observadores da ONU. No início deste sábado, o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) havia anunciado que os boinas azuis tinham sido transferidos do vilarejo sírio de Jamla, onde eles foram detidos, para o vale de Yarmouk, na fronteira com a Jordânia.

Em Nova Iorque, a ONU afirmou que "negociações bem-sucedidas foram concluídas entre todas as partes, com o intuito de liberar os observadores". Segundo autoridades da ONU, os 21 filipinos estariam "sãs e salvos". Uma primeira tentativa de liberação dos reféns foi feita na noite da sexta-feira(8). Mas, por causa de um bombardeio realizado por aviões sírios, a operação foi abortada. O regime sírio aceitou o pedido de trégua para que um comboio da ONU evacuasse os funcionários da Força de Observação da Separação do Golã(FNUOD), responsável por manter o cessar-fogo entre Israel e a Síria desde 1974. As colinas do Golã são ocupadas, em sua maioria, pelos israelenses.

O grupo rebelde "A Brigada dos Mártires de Yarmouk" havia reivindicado a captura dos observadores.Os rebeldes, que pediam a retirada das forças do regime sírio da região, solicitaram, dias depois, uma pausa nos bombardeios, o que permitiria a libertação dos funcionários da ONU. A retenção dos obervadores é a primeira captura de funcionários internacionais desde o início do conflito na Síria há dois anos.

Tribunal Penal Internacional analisará eventuais crimes cometidos por Bashar al-Assad

O Secretário Geral da ONU, Ban Ki-moon se declarou favorável às discussões sobre um possível processo contra o presidente da Síria, Bashar al-Assad. A declaração foi feita à revista austríaca Profil neste sábado(9).

"As grandes violações dos direitos humanos na Síria podem ser interpretados como crimes de guerra e crimes contra a Humanidade", declarou Ban Ki-moon. As Nações Unidas declararam que o caso Assad será apreciado pela Corte Penal Intenacional. Segundo a reportagem da revista austríaca que será publicada na segunda(11), o Secretário Geral também fez uma advertência aos países ocidentais que pretendem enviar armas aos rebeldes sírios. "Essa prática somente prolonga o confronto e provoca mais vítimas", disse Ban Ki-moon.

O conflito que opõe as forças leais ao regime de Bashar al-Assad e os rebeldes já fez mais de 70 mil mortos e provocou o refúgio de um milhão de civis em dois anos, segundo a ONU.

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