Tensão militar

Coreia do Sul dá ultimato a Coreia do Norte por complexo industrial

O complexo industrial intercoreano de Kaesong, logo atrás do vilarejo de Gijungdong
O complexo industrial intercoreano de Kaesong, logo atrás do vilarejo de Gijungdong REUTERS/Lee Jae-Won
Texto por: RFI
3 min

A Coreia do Sul lançou um ultimato nesta quinta-feira à Coreia do Norte, exigindo a retomada do diálogo sobre o pátio industrial intercoreano de Kaesong, fechado por Pyongyang desde o último dia 3 de abril. O fechamento foi uma retaliação a uma declaração do ministro da defesa do Sul, que afirmou ter um plano de contingência para proteger seus conterrâneos que trabalham no local.

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Kaesong, que é um dos poucos exemplos de colaboração intercoreana, acabou virando um símbolo da escalada de tensão militar na região, que começou com um teste nuclear que Pyongyang fez em fevereiro. Seul propôs encontros oficiais entre os dois governos. De acordo com o porta-voz do Ministério da Unificação Kim Hyung-Seok, "se a Coreia do Norte recusar estes encontros, nós tomaremos medidas significativas".

Apesar de não especificar as "medidas" a ser tomadas, o Ministério fez uma clara alusão à possibilidade de uma retirada completa da região, que normalmente emprega 53 mil trabalhadores em 123 empresas sul-coreanas. Dos cerca 850 sul-coreanos que trabalham em Kaesong (a maioria em cargos de liderança), restam 176. Pyongyang tem impedido a chegada de alimentos e outras provisões para eles.

"Não mudamos nossa posição de apoiar a operação e o aprimoramento estáveis (do pátio)", disse o Hyung-Seok. "Mas não podemos deixar a situação como está". As conversas aconteceriam entre os supervisores dos dois lados da operação da zona industrial. Se Kaesong for de fato fechada, não sobrará nenhuma intersecção entre as duas Coreias que, tecnicamente, permanecem em guerra desde 1950.

Repercussão
O secretário geral da ONU, Ban Ki-Moon, disse estar "a par" do ultimato, de acordo com o porta-voz Martin Nesirky, e espera que o diálogo possa devolver o complexo a sua operação normal o mais rápido possível.

Quando o ultimato chegou, o líder norte-coreano Kim Jong-Un assistia a uma parada militar de milhares de soldados, em homenagem ao aniversário de fundação do exército do país. De acordo com a Agência Central de Notícias da Coreia do Norte, o chefe das Aeronáutica norte-coreana, Ri Pyong-Cholhe repetiu a habitual retórica bélica: "Uma vez dada ordem de partida, nossos aviões carregarão as bombas nucleares no lugar do combustível para voltar e despejarão uma tempestade sobre as fortalezas inimigas para explodi-las".

O pátio industrial criado em 2004 se estende por 10 km e é uma fonte de renda fundamental para o norte, graças aos impostos e às taxas cobradas sobre os salários dos funcionários. O projeto nasceu da chamada "Política do brilho do sol" de conciliação intercoreana iniciada no fim dos anos 90 pelo presidente sul-coreano Kim Dae-Jung, que levou a uma cúpula histórica com o antigo líder Kim Jong-Il, em 2000. Kaesong funciona como uma zona colaborativa de desenvolvimento econômico, que abriga companhias sul-coreanas, atraídas pela mão de obra barata e qualificada do vizinho.

 

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