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Desabamento/Bangladesh

Sobreviventes do desabamento protestam em Bangladesh

Equipe de resgata transporta corpo de operário morto durante o desabamento do Rana Plaza, em Bangladesh, em imagem do dia 5 de maio de 2013.
Equipe de resgata transporta corpo de operário morto durante o desabamento do Rana Plaza, em Bangladesh, em imagem do dia 5 de maio de 2013. REUTERS/Stringer
Texto por: RFI
2 min

Centenas de sobreviventes do desabamento do prédio Rana Plaza, na periferia de Dacca, bloquearam a avenida principal da capital de Bangladesh para exigir o pagamento de indenizações e salários atrasados. Eles ganhavam menos de US$ 40 por mês. O edifício colapsou no último dia 24, matando mais de 700 das cerca de 3 mil pessoas que trabalhavm no local no horário do acidente. Na véspera do desastre, funcionários constataram fissuras nas paredes, mas foram orientados pela chefia a permanecer em seus postos de trabalho.

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Subitamente desempregadas, as cerca de 400 vítimas que, segundo informações da polícia local, bloquearam a via que liga Dacca ao sul e ao sudeste do país, querem ser indenizadas não apenas pelo fim dos contratos, mas pelos tratamentos hospitalares e pelos danos físicos que sofreram com o desabamento. Eles se sentaram na rodovia e entoaram gritos de guerra.

No local do acidente, o exército continua os trabalhos para a retirada de toneladas de escombros e é possível que mais cadáveres apareçam. Os últimos estavam desmembrados ou em estado avançado de decomposição, o que complica sua identificação. Crachás e telefones celulares têm sido vitais neste sentido. O cheiro que exala das ruínas é tão forte que as equipes de resgate têm trabalhado com máscaras. De acordo com as autoridades, 2.437 pessoas foram resgatadas com vida do local.

Bangladesh é o segundo maior exportador têxtil do mundo, atrás somente da China. O setor emprega mais de 40% da força de trabalho no país e representa 80% de suas exportações. A maior parte das confecções que operavam no imóvel produzia peças para grandes grifes ocidentais, como a britânica Primark e a espanhola Mango.

Com medo que a má publicidade leve a um êxodo das marcas internacionais de Bangladesh, o governo local anunciou nesta segunda-feira que iniciará uma inspeção nas milhares de fábricas têxteis do país, para apontar falhas de construção. Mas nem o temor do governo nem a reavaliação das instalações são animadoras: depois de um incêndio em novembro do ano passado que matou 111 pessoas, houve uma inspeção similar.

Mas, as condições de trabalho não melhoraram e, nem por isso, as grandes grifes interromperam suas encomendas. Enquanto o consumidor ocidental não se preocupar com o processo de produção das peças e não boicotar marcas que empregam trabalho escravo ou semi-escravo, nada vai mudar.

Isso ainda está longe de acontecer. Dias depois do desabamento, uma pesquisa feita por um grande sindicato de consumidores na Europa apontou que "as práticas das filiais da indústria têxtil não são prioridade para o comprador europeu".

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