Conflito/Síria

Damasco toma bastião da oposição e afasta possibilidade de diálogo

Carro destruído em meio a escombros em Homs. Foto de 28 de abril
Carro destruído em meio a escombros em Homs. Foto de 28 de abril REUTERS/Yazan Homsy

A França está "extremamente preocupada" com a possibilidade de a invasão de um reduto rebelde no centro de Homs pelo exército de Bashar al-Assad descambar para "um novo massacre da população civil". A cidade de Qusseir foi invadida pelas forças pró-regime depois de violentos combates na manhã deste domingo, que deixaram ao menos 52 mortos. 

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Uma fonte militar que não quis se identificar garantiu que "o exército sírio controla a praça principal de Qusseir, bem como todos os prédios nas adjacências. Entre eles, a prefeitura, onde os soldados hastearam uma bandeira da Síria".

De acordo com o diretor da ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahmane, "se o exército controlar Qusseir, toda a província de Homs cai" nas mãos do regime. A cidade é estratégica por sua posição central, que liga Damasco ao litoral.

E o que se pode esperar depois são violentas retaliações, já que boa parte dos 25 mil habitantes é próxima de rebeldes ou opositores. Daí a preocupação de Paris, expressa pelo porta-voz do ministério das Relações Exteriores, Philippe Lalliot, neste domingo: "tememos as consequências de uma ação militar massiva do regime de Damasco e seus aliados". O principal destes aliados seria o poderoso partido xiita libanês Hezbollah, de acordo com o OSDH.

De acordo com um soldado entrevistado pelo canal oficial de televisão, o exército "deixou a frente noroeste para permitir a saída dos habitantes", mas a oposição denuncia um "sítio implacável imposto pelo regime sírio e pelo Hezbollah". Há várias semanas que o partido libanês, ao lado do exército e de milícias pró-regime tentam recuperar este bastião rebelde. Na noite de sábado para domingo, quatro combatentes do Hezbollah morreram na região.

"Cada nova violência diminui drasticamente a esperança de chegarmos a uma solução política", continuou o porta-voz, lembrando que há um grande esforço capitaneado por Rússia, Estados Unidos e ONU para organizar uma conferência sobre a Síria em junho.

Mas a Coalizão Nacional de Oposição, que deve decidir em 23 de maio se participará da conferência comunicou neste domingo que nenhum diálogo tem sentido diante do silêncio da comunidade internacional diante do ataque a Qusseir. O grupo pede uma cúpula urgente da Liga Árabe para discutir a "proteção de Qusseir".

Bashar al-Assad, apesar de saudar o que viu como uma iniciativa positiva, disse a jornalistas argentinos neste sábado não acreditar que este diálogo possa resolver o conflito e recusou-se novamente a deixar a presidência antes do término do seu mandato, em 2014.

Esta é uma condição proposta pelo secretário de Estado norte-americano John Kerry para que representantes do regime e da oposição possam entar à mesa de negociações. Moscou, grande aliado de Damasco e principal fornecedor de armas para o regime de al-Assad, insiste na manutenção do presidente.

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