Egito/Crise política

Islamitas acusam militares do Egito de incitar guerra civil

O vice-primeiro-ministro e chefe das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sissi.
O vice-primeiro-ministro e chefe das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sissi. EGYPT-PROTESTS/DOWNFALL REUTERS/Stringer/Files

A Irmandade Muçulmana no Egito, movimento do presidente deposto Mohammed Mursi, acusa o governo de transição e os militares egípcios de incitar a população a uma guerra civil. Os islamitas estão revoltados com o vice-primeiro-ministro e chefe das Forças Armadas, general Abdel Fattah al-Sissi, que convocou ontem o povo a sair nas ruas nesta sexta-feira, para acabar com a violência e com o que ele chamou de "terrorismo" no país.

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Os islamitas também convocam protestos para amanhã em repúdio ao golpe de estado. Os simpatizantes do ex-presidente Mohammed Mursi não aceitam ser chamados de terroristas e comparam os termos usados pelo general Sissi ao discurso do presidente sírio, Bashar al-Assad.

A Irmandade Muçulmana criticou a convocação do general, interpretada como "um apelo explícito a uma guerra civil". Os islamitas também prometem ir às ruas nesta sexta-feira, mas contra o golpe militar. O movimento civil Tamarrod, na origem da mobilização que levou à queda de Mursi, expressou apoio incondicional ao general Sissi e ainda convocou os egípcios a ocupar em massa as praças do país, amanhã, para reclamar oficialmente o julgamento de Mursi, e apoiar as Forças Armadas em sua suposta luta contra o terrorismo.

O general Sissi quer o povo nas ruas para legitimar o golpe que tirou o ex-presidente Mursi no poder, mas o Egito é um país dividido, com uma grande parcela da população favorável ao retorno dos islamitas ao poder. Desde o golpe, 170 pessoas já morreram e diariamente soldados egípcios são alvo de ataques islamitas no Sinai. Sissi voltou a dizer que o Exército agiu em nome do povo e reafirmou que o processo de transição não tem volta.

O governo dos Estados Unidos declarou estar muito preocupado com o chamado do general, suscetível de aumentar a onda de violência. Ontem, o presidente Barack Obama já tinha cancelado a entrega de quatro aviões de caça ao Egito, que recebe importante apoio militar americano.

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