Paquistão/ prêmio

Talibãs comemoram que jovem Malala Yousafzai não venceu Nobel da Paz

Jovem Malala Yousafzai estava em Nova York nesta sexta-feira.
Jovem Malala Yousafzai estava em Nova York nesta sexta-feira. REUTERS/Shannon Stapleton

Os talibãs paquistaneses comemoraram nesta sexta-feira que Malala Yousafzai, a ativista pela educação das meninas que o grupo prometeu matar, não ganhou o Prêmio Nobel da Paz. O porta-voz Shahidullah Shahid afirmou que Malala não fez nada para merecer o prêmio.

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"Estamos felizes que ela não tenha ganhado. Nós já tínhamos dito que ela não o merecia. Ela não fez nada de importante”, afirmou Shahid por telefone, à agência AFP. “O prêmio deveria ir para verdadeiros muçulmanos que lutam para defender o islã.”

O Prêmio Nobel da Paz foi concedido nesta sexta-feira à Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ), que atualmente está em missão para desmantelar o arsenal químico da Síria. Malala, a adolescente de 16 anos que luta pelos direitos das meninas de estudar, era um dos nomes mais cotados para levar o prêmio este ano.

Em outubro de 2012, um homem do Tehreek Taliban Pakistan, os talibãs paquistaneses, disparou uma bala na cabeça da jovem em Mingora, no vale do Swat, região do noroeste do país controlada pelos rebeldes extremistas de 2007 a 2009. Malala, que havia denunciado os excessos do grupo – como proibir as meninas de frequentar a escola – foi levada às pressas para o hospital e transferida à Inglaterra, onde foi operada e pôde ser salva.

Recuperada, ela foi homenageada com diversos prêmios, como o Sakharov, concedido pelo Parlamento europeu nesta quinta-feira – uma decisão criticada logo depois pelos talibãs. Na sua cidade-natal, o anúncio do Nobel da Paz era esperado com expectativa nesta sexta. Seus admiradores minimizaram a escolha pela OPAQ, afirmando que o simples fato de a jovem ser cotada à distinção já era um reconhecimento importante. O Partido Nacional Awani, formado por habitantes da região de Swat, havia prometido uma grande festa nas ruas se Malala fosse a vencedora, mas as comemorações foram canceladas imediatamente após o anúncio em Oslo (Noruega).

Já os críticos da menina questionam a influência do Ocidente na fama internacional de Malala. Para alguns, ela seria “uma agente” dos Estados Unidos contra o islã. “Ao invés de premiá-la, deveriam tentar explicar por que o Ocidente faz tanta promoção dela e por que ela já ganhou tantos prêmios”, disse Qari Shamsur Rehman, secretário-geral do partido islâmico JUI-F.
 

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