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Genebra/Acordo nuclear

Grandes potências e Irã concluem acordo nuclear histórico

Os ministros americano, chinês, russo, francês, britânico e alemão, assim como o chanceler iraniano e a chefe da diplomacia europeia celebram a conclusão do acordo neste 24 de novembro de 2013, em Genebra.
Os ministros americano, chinês, russo, francês, britânico e alemão, assim como o chanceler iraniano e a chefe da diplomacia europeia celebram a conclusão do acordo neste 24 de novembro de 2013, em Genebra. REUTERS/Denis Balibouse
Texto por: RFI
6 min

Após quatro dias de negociações em Genebra, o Irã e o grupo P5+1 (os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU e a Alemanha) chegaram a um acordo provisório de seis meses sobre o controvertido programa nuclear iraniano. O compromisso prevê que o Irã pare a produção de urânio enriquecido a mais de 5% e impede a instalação de novas centrífugas. Israel qualificou o acordo de "erro histórico".

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O acordo põe fim a dez anos de crise entre as grandes potências do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia e China) e o regime dos aiatolás iranianos. O acordo preliminar concluído quando eram 3h de domingo na Suíça, meia-noite no Brasil, deve reduzir a extensão do programa nuclear iraniano em troca de um levantamento das sanções comerciais e outras impostas pelos ocidentais nos últimos anos.

O texto suspende os aspectos mais controvertidos do programa nuclear do Irã, como a produção de urânio enriquecido acima de 5%, a neutralização das reservas de urânio enriquecido a 20% e a paralisação da construção do reator de água pesada de Arak, que poderia gerar plutônio no futuro, um combustível alternativo para a fabricação de armas atômicas.

Em troca, as seis grandes potências se comprometem a não impor novas sanções a Teerã ao longo dos próximos seis meses. Os Estados Unidos acreditam que o alívio das restrições existentes permitirá ao Irã acessar 7 bilhões de dólares de receitas relacionadas com petróleo, produtos petroquímicos, ouro e receitas automotivas.

Para o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammed Javad Zarif, foi muito importante que tenham reconhecido o direito do Irã de desenvolver um programa nuclear civil. "O direito à tecnologia nuclear é um direito inalienável, um combate que enfrentamos há vários anos com a comunidade internacional", afirmou Zarif. O ministro iraniano acrescentou que o acordo é "um resultado importante , mas é apenas um primeiro passo". O presidente iraniano, Hassan Rohani disse, em sua conta no Twitter, que o acordo vai "abrir novos horizontes".

O presidente americano, Barack Obama, também afirmou que o acordo nuclear com o Irã "é um primeiro passo importante", admitindo a persistência de dificuldades que serão negociadas nos próximos meses. "As novas inspeções previstas no acordo permitirão que a comunidade internacional verifique se o Irã cumpre seus compromissos", disse Obama em uma entrevista coletiva na Casa Branca.

"Todos ganham e ninguém perde", disse o chanceler da Rússia, Serguei Lavrov.

O ministro das Relações Exteriores francês, Laurent Fabius, explicou que o acordo reconhece o direito de o Irã explorar energia nuclear civil. A França, que havia bloqueado a rodada precedente de negociações, no início do mês, exigindo mais garantias do governo iraniano, sublinha que o acordo "exclui o acesso a armas nucleares" pelo Irã.

Para Israel, um "mau negócio"

O secretário de Estado americano, John Kerry, declarou que o acordo alcançado em Genebra fará "o mundo mais seguro, assim como Israel e os parceiros dos Estados Unidos no Oriente Médio".

No entanto, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, denunciou um "mau negócio", dizendo que Teerã "obteve o que queria". O acordo foi qualificado de "erro histórico" pelo premiê israelense.

Israel acredita que as sanções econômicas poderiam ter produzido um acordo muito melhor, que teria levado a um desmantelamento das instalações nucleares iranianas. Avigdor Lieberman, ministro das Relações Exteriores israelense, fala em "vitória para o Irã" e insiste: "a corrida armamentista começou". A ministra da Economia de Israel, Naftali Bennett, sublinhou que seu país não estava vinculado ao acordo de Genebra. "Israel não tem vínculos com o acordo de Genebra. Se o Irã ameaça Israel, temos o direito de nos defender", disse a ministra.

Reações nos Estados Unidos

Em sua declaração, o presidente Obama saudou o acordo de Genebra, mantendo-se cauteloso. Ele falou sobre um primeiro passo importante, mas disse que ainda há grandes desafios a superar antes de chegar a um acordo final.

Obama observou que graças ao acordo provisório, pela primeira vez em quase 10 anos, ficou acertado que será possível verificar se o Irã respeita os seus compromissos. Caso contrário, ele alertou, "as sanções que serão suspensas serão restabelecidas e reforçadas".

Obama não quer ser acusado de ingenuidade, se o Irã continuar a desenvolver o seu programa nuclear em segredo, mas ele também quer dar uma chance à diplomacia e para isso conta com o apoio de 65% dos americanos. "Só a diplomacia pode alcançar uma solução duradoura para o desafio colocado pelo programa nuclear iraniano", disse ele, reafirmando que fará tudo para impedir que o Irã obtenha a bomba atômica.

No entanto, o acordo foi criticado por alguns congressistas, em sua maioria republicanos, que desconfiam da boa fé do Irã, uma desconfiança que é produto de 35 anos de hostilidades no estilo da Guerra Fria entre os Estados Unidos e o Irã. Obama precisa do apoio do Congresso para a próxima fase de negociações. Ele pediu aos congressistas que não imponham novas sanções agora, a fim de não comprometer o processo em curso.

Israel e os países do Golfo "têm boas razões para permanecerem céticos em relação às intenções do Irã", disse o chefe da Casa Branca. Obama deve telefonar ainda hoje a Netanyahu e a outros líderes de países árabes aliados para reiterar o compromisso dos Estados Unidos com a segurança na região.

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