EUA/Iraque

EUA vão apoiar Iraque contra Al Qaeda, mas sem envio de tropas

John Kerry no aeroporto de Tel Aviv (Israel), de partida para Amã, na Jordânia, neste domingo.
John Kerry no aeroporto de Tel Aviv (Israel), de partida para Amã, na Jordânia, neste domingo. REUTERS/Brendan Smialowski/Pool

Os Estados Unidos vão fornecer suporte ao governo do Iraque e às tribos que lutam contra rebeldes ligados à Al Qaeda na província de Anbar, dominada por muçulmanos sunitas e que faz fronteira com a Síria. Mas sem o envio de tropas, acrescentou neste domingo, o secretário de Estado americano, John Kerry, durante coletiva em Jerusalém, ao encerrar viagem de três dias pelo Oriente Médio. O domingo foi movimentado para Kerry, que foi à Arábia Saudita e à Jordânia, para conversar com os respectivos monarcas sobre o conflito israelo-palestino, passando por Jerusalém depois, para em seguida embarcar para os EUA.

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Militantes islâmicos ligados à Al Qaeda e guerrilheiros tribais assumiram o controle de Ramadi e Falluja, as principais cidades da província de Anbar, desafiando o governo xiita do Iraque. Tropas oficiais e líderes tribais aliados tentam retomar a província.

Kerry disse que os EUA estão preocupados com o que se passa em Anbar, principal centro de resistência contra os EUA, após a invasão do Iraque pelos norte-americanos em 2003. O secretário de Estado deixou claro que os EUA não vão enviar tropas de novo ao Iraque. "Esta é uma luta que pertence aos iraquianos", disse.

O representante americano não quis dar detalhes sobre a ajuda que os EUA vão prestar ao governo do premiê iraquiano, Nuri al-Maliki.

Conflito israelo-palestino

Em relação à iniciativa de paz para o Oriente Médio, o principal motivo dessa décima viagem de Kerry à região desde março, ele declarou ter conseguido o apoio da Arábia Saudita. O rei Abdullah ‘apoia nossos esforços e acha que podemos ter êxito nos próximos dias’, relatou sobre o encontro de três horas com o soberano. Kerry também se reuniu neste domingo com o outro rei Abdullah, da Jordânia, país que assinou acordo de paz com Israel e tem fronteira com a Cisjordânia.

Kerry reabriu as negociações de paz entre israelenses e palestinos em julho de 2013, depois de três anos suspensas. "O caminho está mais claro, o quebra-cabeça está sendo montado e as decisões difíceis que faltam ser tomadas são mais evidentes para todos, mas isso leva tempo", disse, após três dias de encontros com representantes israelenses e palestinos.

Kerry apresentou aos dois lados um projeto de acordo, no qual se traçam as linhas gerais de um documento definitivo sobre as fronteiras, a segurança, o status de Jerusalém e o futuro dos refugiados palestinos.

Mas o texto ainda deve enfrentar muita oposição. Israel rejeitou a proposta dos Estados Unidos para garantir a segurança no vale do Jordão, na fronteira entre a Cisjordânia e Jordânia, onde Israel tem a intenção de manter uma presença militar no caso de um futuro Estado palestino.

Os palestinos, por sua vez, insistem no fim da ocupação de seu território, mas aceitam o envio de uma força internacional, uma opção rejeitada por Israel, que também exige que o Estado palestino seja desmilitarizado.
 

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