Síria/ONU

Oposição e regime sírio iniciaram discussões diretas sem avanços

O mediador da ONU e da Liga Árabe para as negociações de paz na Síria, Lakhdar Brahimi.
O mediador da ONU e da Liga Árabe para as negociações de paz na Síria, Lakhdar Brahimi. © Reuters

Representantes do regime sírio e opositores a Bashar Al-Assad se encontraram neste sábado (25) pela primeira vez em torno de uma mesma mesa de negociações sob a liderança da ONU. O objetivo das Nações Unidas é lançar um processo de discussões para por fim a uma guerra civil que irá completar três anos.  

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Reunidos em um dos escritórios da sede da ONU em Genebra, as duas delegações ficaram frente a frente durante três horas, na presença do mediador Lakhdar Brahimi, que qualificou o primeiro encontro de “um bom começo”.

As posições das duas partes parecem até o momento irreconciliáveis sobre o ponto que se tornou o principal obstáculo para uma solução política: o futuro do presidente sírio Al-Assad. Neste sábado, as discussões giraram em torno de um acordo sobre a distribuição de ajuda humanitária. Um acordo sobre o tema pode criar um ambiente de confiança mútua favorável para a seqüência das discussões, avaliam analistas.

Brahimi expressou a esperança de que as autoridades sírias aceitem neste domingo a passagem de um comboio com ajuda humanitária para o centro de Homs, controlado pelos rebeldes. Se a proposta avançar, o objetivo é de uma distribuição efetiva a partir do dia seguinte.

“Nós não avançamos muitos, mas continuamos”, afirmou o diplomata argelino durante um entrevista coletiva após o final da reunião. Para evitar qualquer incidente, os organizadores do encontro fizeram as delegações entrarem e saírem por portas distintas durante as duas sessões de discussões que ocorreram pela manhã e à tarde.

Lakhdar Brahimi explicou que a delegações haviam negociado apenas através de seus intermediários. O mediador da ONU explicou às duas partes as bases de discussões para as discussões nas próximas semanas, e insistiu para a adoção da declaração de junho de 2012 que exige a formação, por consentimento mútuo, de uma autoridade de transição com plenos poderes executivos.

A fórmula é interpretada de maneira diferente pelas duas delegações. Os opositores entendem que a proposta retira o poder de Bashar Al-Assad, o que é negado categoricamente pelos representantes do regime.

 

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