Rússia/Crimeia

Rússia reforça presença militar na Crimeia e ameaça EUA com sanções

Exercito da base de Perevalnoye perto da Crimeia.
Exercito da base de Perevalnoye perto da Crimeia. REUTERS/David Mdzinarishvili

Diante das “ameaças externas”, a Rússia decidiu reforçar sua presença militar na Crimeia, anunciou nesta quinta-feira (20) o ministro da Defesa, Iuri Borissov, em entrevista à agência Itar-Tass. No plano político, Moscou alertou para a aplicação de “sanções recíprocas” contra os Estados Unidos.

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“Será necessário desenvolver uma infraestrutura militar na península para que a Crimeia seja uma representante digna da Federação Russa e que ela seja protegida de qualquer agressão”, afirmou Borissov. A declaração foi feita após o chefe da missão da Ucrânia nas Nações Unidas, em Genebra, informar a imprensa de que tinha “indicações” de que os russos estariam prontos para lançar uma vasta operação militar no leste e sul da Ucrânia.

Yuri Klymenko disse que reforços militares foram enviados à região de Kherson, no norte da Crimeia. Além disso, o diplomata indicou ter sido informado da instalação de minas e de operações contra os moradores nas regiões sul e leste pelas forças de segurança pró-russas identificadas com documentos do serviço secreto russo.

“A Ucrânia e os ucranianos estão prontos para defender seu território por todos os meios necessários, mas, no estágio atual, mantemos o compromisso de encontrar uma solução pacífica”, disse Klymenko. “O uso do direito à autodefesa seria o último recurso da Ucrânia”, garantiu.

Ameaças contra os Estados Unidos

A Rússia vai responder às sanções dos americanos com medidas recíprocas ou “assimétricas” que não deixarão Washington indiferente, declarou nesta quinta-feira o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Sergueï Riabkov.

“Se, em Washington impera a linha que consiste em estimular o confronto e tenta nos ditar algo a partir das sanções, nós não vamos nos limitar a aplicar sanções específicas, contra apenas alguns indivíduos”, alertou Riabvok.

Segundo ele, podem se tratar de medidas que não deixarão Washington “indiferente”, pois há uma série de diálogos e contatos em várias áreas de cooperação que são importantes para os Estados Unidos.

O aviso foi dado um dia após o governo americano anunciar um reforço nas sanções contra a Rússia em represália à anexação da Crimeia por Moscou. “A questão não é saber se os Estados Unidos vão anunciar novas sanções, mas quando Washington vai tomar a medida”, martelou uma porta-voz do Departamento de Estado americano. Na segunda-feira, o governo de Barack Obama anunciou medidas punitivas contra 11 responsáveis russos e ucranianos pró-Rússia, sendo 7 deles próximos do presidente Vladimir Putin.

 

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