Irã/Programa Nuclear

Potências marcam reunião de emergência para discutir programa nuclear do Irã

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.
A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton. REUTERS/Francois Lenoir

Convidados pela chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, representantes do 5+1 (Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha) participarão de uma reunião de alto escalão neste domingo (13) para discutir o programa nuclear iraniano. A ideia é resolver "importantes divergências" entre as potências e avaliar a possibilidade de se chegar a um acordo antes do prazo-limite das negociações, fixado em 20 de julho.

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Os países ocidentais do grupo estarão representados por seus ministros das Relações Exteriores: John Kerry (EUA), Willian Hague (GB), Franck-Walter Steinmeier (Alemanha) e Laurent Fabius (França). A Rússia enviará seu embaixador nos organismos internacionais em Viena, Vladimir Voronkov, já que o ministro Serguei Lavrov acompanha o presidente Vladimir Putin em visita à América Latina. Pequim ainda não definiu quem será seu representante.

Divergências

De acordo com a chancelaria norte-americana, o secretário de Estado John Kerry reconheceu a dificuldade das discussões dentro do 5+1 e garantiu que pretende "avaliar o grau de vontade do Irã de fazer gestos claros e verificáveis que permitiriam confirmar suas declarações públicas em relação ao programa nuclear".

Na terça-feira, o premiê francês, Laurent Fabius, admitiu que "nenhuma das questões principais estava resolvida", uma declaração que contradisse completamente a posição da Rússia, que viu "claros sinais de progresso nas discussões". Nesta sexta-feira (11), o porta-voz da diplomacia francesa Romain Nadal afirmou que as cinco potências estão "unidas sob um objetivo: conseguir um acordo plausível, completo e durável que traga todas as garantias necessárias de que o Irã não tentará obter a arma nuclear".

Contradições

Os pontos mais polêmicos são a capacidade iraniana de enriquecimento de urânio e o número de centrífugas que o Irã conservou depois da assinatura do último acordo entre as partes. O enriquecimento a um alto nível de pureza poderia servir à fabricação da bomba atômica enquanto que, em nível baixo, abasteceria centrais nucleares para a produção de energia elétrica.

O guia supremo iraniano, Ali Khamenei, que detém a palavra final sobre o programa nuclear, disse na terça-feira que pretende aumentar a capacidade de enriquecimento a um nível industrial, para produzir combustível para futuras centrais nucleares. Seu objetivo é obter 20 centrais.

As grandes potências pedem exatamente o contrário: a diminuição do grau de enriquecimento. Em Washington, espera-se que a capacidade de enriquecimento de urânio do Irã seja reduzida a "uma fração" da atual. A resolução desse impasse, que já dura mais de dez anos, permitiria a suspensão das sanções que estrangulam a economia iraniana. Caso um acordo não seja atingido, é possível que as duas partes optem por prolongar as negociações.
 

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