Ucrânia/ Rússia

Presidente ucraniano desiste de assistir à final da Copa com Putin

Forças ucranianas passam pela cidade de Severesk, no leste do país.
Forças ucranianas passam pela cidade de Severesk, no leste do país. REUTERS/Gleb Garanich

O presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, desistiu de assistir à final da Copa do Mundo no Brasil, neste domingo (13). Ele havia confirmado ontem a presença no evento, do qual o presidente russo, Vladimir Putin, participará. Nesta manhã, uma bomba ucraniana teria caído em território russo, causando uma morte. Moscou diz que as consequências da “agressão” podem ser “irreversíveis”.

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Porochenko afirmou que a viagem ao Rio de Janeiro ficou “impossível” neste momento em que se intensificam os confrontos entre as Forças Armadas ucranianas e os insurgentes separatistas no leste do país. Pelo menos 19 militares ucranianos morreram na sexta-feira, após uma sequência de disparos de foguetes pelos pró-russos.

A presença do presidente da Ucrânia na final da Copa havia sido anunciada pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil, no sábado. A diplomacia russa havia dito “não excluir” uma reunião com o ucraniano à margem do jogo entre Alemanha e Argentina. Putin tinha confirmado presença há vários meses, por ser o presidente do próximo país-sede da Copa, em 2018.

Durante a madrugada, no entanto, as autoridades de Kiev disseram que “considerando a situação hoje na Ucrânia, o chefe de Estado estima que é impossível, para ele, assistir à final da Copa do Mundo”. Mesmo assim, o conflito na Ucrânia ainda deve ser abordado no Rio de Janeiro – mas entre Putin e a chanceler alemã, Angela Merkel, que vai ao Maracanã para torcer pela seleção do país. Merkel tem desempenhado um papel ativo nas negociações por uma solução da crise ucraniana.

Bomba cai na Rússia

A situação registra um novo pico de tensão neste domingo, depois que uma bomba vinda da Ucrânia teria caído em território russo, na fronteira entre os dois países, matando um russo. Moscou ameaçou Kiev e classificou o incidente como “uma agressão” por parte da Ucrânia. Kiev, porém, nega que seja a responsável pela bomba.

“Na Rússia, nós consideramos essa provocação como mais um ato de agressão”, indicou o ministério russo das Relações Exteriores. “Este acontecimento mostra uma escalada extremamente perigosa das tensões na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia e poder ter consequências irreversíveis, em que a Ucrânia terá as responsabilidades.”

As autoridades ucranianas, entretanto, desmentiram serem as responsáveis pelo disparo. “Não há dúvidas. As forças ucranianas não efetuam tiros em direção ao território da Federação Russa. Nós não atiramos”, declarou um porta-voz do Conselho de Segurança Nacional e de Defesa.

Confrontos

Nas últimas 24 horas, pelo menos 24 pessoas morreram em confrontos na Ucrânia.
Seis mortes aconteceram em Donetsk, a maior cidade ucraniana controlada por rebeldes pró-russos. Outras oito pessoas perderam a vida em Marinka, um vilarejo também comandado por insurgentes, distante 30 quilômetros. Mais nove vítimas foram registradas em Lugansk, outro foco dos separatistas, das quais três eram militares ucranianos.

Um enfrentamento violento entre o Exército ucraniano e os separatistas está cada vez mais próximo. As forças militares estão conseguindo cercar Donetsk e estão a 20 quilômetros da cidade. Kiev afirma ter realizado bombardeios aéreos contra bases dos separatistas, causando “duras perdas” e destruindo uma dúzia de tanques e morteiros dos insurgentes.
 

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