África/Ebola

Expansão do Ebola começa a preocupar autoridades europeias e asiáticas

Médicos Sem Fronteiras preparando comida para pacientes com Ebola em Serra Leoa
Médicos Sem Fronteiras preparando comida para pacientes com Ebola em Serra Leoa Photo: Reuters/Tommy Trenchard

Diante da epidemia de Ebola que continua a se propagar no oeste da África, a preocupação com a doença começa a ganhar o mundo. Autoridades britânicas se reuniram nesta quarta-feira (30) para discutir a propagação. Hong Kong anunciou medidas de quarentena. 

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Em um encontro interministerial de crise, nesta tarde, em Londres, o governo manifestou sua preocupação com a situação, embora nenhum cidadão britânico na região tenha sido contaminado até o momento. Mas o chefe da diplomacia, Philip Hammond, disse que “o vírus é uma ameaça que nós devemos enfrentar”.

O diretor dos serviços públicos de saúde, Brian McCloskey, qualificou o Ebola de “a urgência sanitária mais grave” identificada pelo Reino Unido atualmente. Um homem britânico suspeito de ter contraído o vírus se submeteu ao teste, que deu negativo.

"Vivemos em um mundo completamente interconectado, em que tudo que afeta um país distante pode ter repercussões maiores”, afirmou Mark Walport, conselheiro científico junto ao governo. As autoridades britânicas advertiram os agentes de controle das fronteiras e dos aeroportos sobre os sintomas da doença. O período de incubação pode chegar a 20 dias.

A organização Médicos Sem Fronteiras alertou que o vírus, que já fez mais de 670 mortos na África desde o início do ano, está “fora de controle” e que há um risco real de que mais países sejam atingidos. A doença atingiu Guiné, Libéria, Serra Leoa e fez uma vítima na Nigéria – um passageiro da avião que chegou a Lagos vindo de Monrovia, via Lomé (no Togo), o que fez duas companhias aéreas africanas, a Arik e a Asky, interromperem voos para Libéria e Serra Leoa.

A situação também foi tema de discussão de uma teleconferência, na terça (29), entre a Organização de Aviação Civil Internacional (OACI) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), mas nenhuma medida foi tomada de imediato.

Viajantes africanos em quarentena em Hong Kong

Em Hong Kong, cidade densamente povoada por 7 milhões de habitantes e que já foi afetada por epidemias como o SARS, as autoridades sanitárias anunciaram que colocarão em quarentena todos os viajantes provenientes de Guiné, Serra Leoa e Libéria que tenham sintomas de febre.

Em Bruxelas, uma fonte na Comissão Europeia afirma que o bloco está preparado para tratar doentes contaminados pelo Ebola, mas avaliou como “ínfima” a probabilidade de epidemia chegue ao continente. O órgão europeu anunciou uma ajuda suplementar de € 2 milhões para tentar conter o avanço da doença na África, elevando o valor total a € 3,9 milhões.

Vírus sem vacina

O vírus Ebola se manifesta através de hemorragias, vômitos e diarréia. A taxa de mortalidade pode ir de 25% a 90% e não existe nenhuma vacina homologada.

Ele é transmitido através do contato direto com o sangue, líquidos biológicos ou tecidos de pessoas ou animais infectados.

A epidemia começou no início do ano na Guiné, antes de chegar à Libéria e a Serra Leoa, três países vizinhos que, no dia 23 de julho, somavam 1.201 casos com 672 mortes, segundo o último balanço da OMS.

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