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EI/Síria

Jihadistas avançam em Kobane e coalizão diverge sobre contra-ofensiva

Curdos observam da fronteira turca ataques do grupo Estado Islâmico contra a cidade de Kobane, em 7 de outubro de 2014. 2017.
Curdos observam da fronteira turca ataques do grupo Estado Islâmico contra a cidade de Kobane, em 7 de outubro de 2014. 2017. AFP PHOTO / ARIS MESSINIS
4 min

A coalizão internacional voltou a bombardear na manhã desta quinta-feira (9) os arredores da cidade curda de Kobane, na Síria, perto da fronteira com a Turquia. Os terroristas do grupo Estado Islâmico controlam mais de um terço da cidade. Segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), as sedes das forças de segurança curdas já foram tomadas pelos jihadistas.

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"Apesar de uma forte resistência das forças curdas, o grupo Estado Islâmico avançou durante a noite e controla mais de um terço de Kobane", afirmou o diretor do Observatório, Rami Abdel Rahmane, em entrevista à agência AFP.

A ONG afirma que os jihadistas se aproximam agora do "quadrado de segurança", como é conhecido o local na região nordeste de Kobane onde estão instalados prédios oficiais e o comando das Unidades de Proteção do Povo, uma milícia curda. Os ultrarradicais controlam boa parte dos bairros no leste e se dirigem à região oeste da cidade.

Desde segunda-feira, com a entrada dos jihadistas em Kobane, a terceira maior cidade curda da Síria se transformou em palco de confrontos violentos, mas desfavoráveis às forças curdas porque os jihadistas são melhor equipados com blindados e armas sofisticadas, de acordo com o OSDH.

Ação terrestre é considerada crucial para conter ofensiva

A coalizão internacional admite que uma ação terreste é indispensável para conter os radicais islâmicos, mas até agora nenhum país se propõe a enviar soldados.As divergências internas da coalizão acaba favorecendo os terroristas.

O ministro das Relações Exteriores da Turquia disse hoje ao secretário-geral da Otan que é inimaginável esperar que o Exército turco participe sozinho de uma ação terrestre contra os jihadistas.

Essa demora na reação, enquanto milhares de curdos sírios atravessam a fronteira para fugir da violência, gera revolta na comunidade curda da Turquia. O governo de Ancara decretou estado de emergência em seis províncias turcas de maioria curda, após dois dias de distúrbios entre manifestantes e a polícia, que deixaram 27 mortos.

Pelo segundo dia consecutivo, a comunidade curda da Turquia se manifestou nas ruas. Vinte e sete pessoas já morreram nos enfrentamentos entre manifestantes curdos e a polícia. O governo de Ancara decretou estado de emergência em seis províncias turcas de maioria curda.

O presidente francês, François Hollande, apoia a proposta da Turquia de criar uma zona tampão na fronteira da Síria, medida contestada pelo presidente sírio Bashar al-Assad. A medida permitiria atender os milhares de curdos sírios que fogem dos jihadistas. Mas os Estados Unidos têm reservas e a Otan declarou nesta quinta-feira que uma zona tampão "ainda não está na mesa de discussões".

Francês é preso por defender jihadistas

Um francês de Estraburgo, no leste da França, foi condenado a seis meses de prisão em regime fechado por ter expressado apoio em público ao movimento radical. "Viva o grupo Estado Islâmico", disse o homem de 54 anos dentro de uma agência estatal de assistência social, na segunda-feira.

Ele ameaçou voltar ao local com uma arma, depois de ser informado de que seus benefícios seriam reduzidos. Ele ainda acrescentou: "A França não presta. Cada vez que um francês é decapitado eu fico feliz".

O homem foi preso e condenado na quarta-feira pelo Tribunal de Estrasburgo por apologia pública de um ato de terrorismo" e "injúria". Durante a audiência, o réu lamentou suas declarações e disse ter sido vítima de uma crise de estresse. Ele qualificou os jihadistas de "bandidos".

 

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