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Israel/Palestina

Depois de assassinato de bebê, Israel promete "tolerância zero" em Jerusalém

O carro que Abdelrahman Shalodi usou para atropelar as pessoas que desciam do bonde em Jerusalém
O carro que Abdelrahman Shalodi usou para atropelar as pessoas que desciam do bonde em Jerusalém REUTERS/Ammar Awad
Texto por: RFI
3 min

A polícia israelense aplica a partir desta quinta-feira (23) uma política de tolerância zero em Jerusalém depois que um palestino de 24 anos lançou seu carro contra pessoas que desciam de um bonde no leste ocupado da cidade. O atentado feriu seis pessoas, matou um bebê de três meses e reacendeu a ira da direita nacionalista israelense.

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Em comunicado, o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que "Jerusalém unificada era e continuará sendo a capital de Israel por toda a eternidade. Qualquer tentativa de atacar os habitantes de Jerusalém será punida severamente".

Quem também falou em punição com ares bíblicos foi o ministro da Economia israelense, Naftali Bennett: "Nem mesmo Satanás poderia conceber uma vingança suficiente para aquele que derrama o sangue de um bebê de três meses".

Bennett, que é líder do partido ultranacionalista Bait Yehudi, fazia referência a um texto do poeta israelense Nachman Bialik, escrito em 1903, sobre o pogrom de Kishinev - três dias de massacre antissemita promovido por cristãos na província russa da Bessarábia, também em 1903. Estes mesmos versos foram citados recentemente por Netanyahu, pouco antes de deflagrada a guerra deste ano entre Israel e Palestina.

Mas a punição não recairá sobre o assassino da criança, Abdelrahman Shalodi, de 21 anos. Depois do atropelamento, ele foi parado parado por um policial, mas tentou fugir e foi baleado. Na manhã de quinta-feira, ele morreu no hospital Shaarei Tsedek.

Confrontos constantes

A polícia está orientada a agir com "tolerância zero" contra qualquer pessoa envolvida em distúrbios à ordem pública. As guardas fronteiriças foram reforçadas e patrulhas móveis foram deslocadas para as regiões mais sensíveis. A polícia também informou que novas tecnologias serão colocadas em prática para auxiliar os serviços de inteligência.

Antes do antentado, Jerusalém Oriental já estava sob forte tensão. Há alguns meses, acontecem confrontos quase todas as noites entre palestinos e a tropa de choque israelense em diversos bairros como Silwan, Shuafat, Essauiya, Wadi Joz e a Cidade Velha.

Intifada silenciosa

Na quarta-feira, os conflitos invadiram a madrugada, em vários setores da cidade, mas o epicentro era Silwan, onde vivia Abdelrahman Shalodi, que Israel acusa de fazer parte do Hamas. A polícia foi até a casa da família para prender o irmão mais novo dele, o que provocou uma onda de revolta. De acordo com as autoridades, alguns indivíduos lançaram pedras conta um jardim de infância de colonos judeus no bairro palestino de Ras al-Amud. Na Cisjordânia 17 palestinos foram presos, informou o exército de Israel.

Pelas ruas, já se fala em "intifada silenciosa" ou "intifada municipal", em referência às revoltas de 1987-1993 e de 2000-2005, ainda que as verdadeiras intifadas tenham durado muito mais e causado muito mais mortes.

Nesta quinta-feira, aconteceu o funeral da criança, a garotinha Haya-Zissel Braun. Já o corpo de seu assassino permanecia em poder dos israelenses. Ainda não há previsão de quando ele será devolvido e enterrado.
 

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