Tunísia/ eleições

Primeiras eleições presidenciais livres na Tunísia ocorrem sem incidentes

Eleitor deposita voto em urna de Sousse, na Tunísia.
Eleitor deposita voto em urna de Sousse, na Tunísia. REUTERS/Anis Mili

Os tunisianos votaram neste domingo (23) para escolher seu presidente, pela primeira vez desde a Primavera Árabe. Vinte e sete candidatos disputaram a eleição, que ocorreu sem incidentes até o fechamento das urnas, às 18h no horário local (15h em Brasília). Os resultados serão conhecidos até o dia 26 de novembro.

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Os favoritos são o laico Beji Caid Esebsi, de 87 anos, e o presidente em fim de mandato Moncef Marzuki, um opositor histórico ao regime de Zine el Abidine Ben Ali, deposto na revolução de 2011. O comitê de campanha de Esebsi reivindica uma vantagem de pelo menos 10 pontos percentuais sobre o principal adversário, mas uma vitória no primeiro turno parece pouco provável.

A publicação de pesquisas de intenções de voto não foi permitida durante a campanha. Se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta dos votos, haverá segundo turno no fim de dezembro. O vencedor presidirá a Tunísia durante cinco anos, um mandato que pode ser renovado apenas uma vez.

“A operação de votação aconteceu em condições normais”, disse o presidente da instância eleitoral, Chafik Sarsar. Se nenhum candidato obtiver a maioria absoluta dos votos, haverá segundo turno no fim de dezembro.

As eleições históricas finalizam uma transição política de quatro anos e instauram instituições duradouras e democráticas. "É um dia histórico: são as primeiras eleições presidenciais na Tunísia com normas democráticas avançadas. Se Deus quiser, será uma grande festa eleitoral", declarou, pela manhã, o primeiro-ministro Mehdi Jomaa, encarregado de organizar o calendário eleitoral.

Cerca de 5 milhões e 300 eleitores estavam aptos a votar. Em outubro, as eleições legislativas na Tunísia foram elogiadas pela comunidade internacional, uma exceção em uma região onde a maioria dos países que viveram a Primavera Árabe afundou no caos ou na repressão.

Primeiras eleições livres

É a primeira vez que os tunisianos poderão eleger livremente o chefe de Estado. Desde sua independência, em 1956, até a revolução de 2011, o país só teve dois presidentes.

O primeiro foi Habib Burguiba, deposto em 7 de novembro de 1987 por um golpe de Estado promovido por seu primeiro-ministro, Ben Ali, que o sucedeu até fugir à Arábia Saudita no dia 14 de janeiro de 2011.

Além de Esebsi e de Marzuki, outras 25 personalidades se apresentaram, entre eles ministros do regime do presidente destituído Zine el Abidine Ben Ali, um líder da esquerda (Hama Hamami), o milionário Slim Riahi e uma juíza, Kalthum Kanu, a única mulher candidata.
 

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