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Síria/Guerra civil

Grupo Estado Islâmico conquista parte da cidade síria de Palmira

Militantes do EI na região de Raqqa, na Síria, em junho de 2014.
Militantes do EI na região de Raqqa, na Síria, em junho de 2014. REUTERS/Stringer
Texto por: RFI
4 min

A ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) informou neste sábado (16) que combatentes do grupo extremista Estado Islâmico conquistaram hoje uma parte de Palmira, no centro da Síria. Nas últimas horas, os jihadistas executaram dezenas de civis em sua ofensiva a caminho da cidade, que é tombada pela Unesco como patrimônio mundial da humanidade. Os jihadistas também estão a ponto de dominar Ramadi, no Iraque. Paul Khalifeh, correspondente da RFI na região, relata que o exército sírio, extenuado por quatro anos de guerra civil, não consegue resistir aos jihadistas.

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Neste sábado (16), combatentes do grupo ultrarradical sunita ganharam posições ocupadas pelo exército sírio e entraram em Palmira, cidade que possui relíquias da civilização islâmica de valor inestimável. Além das riquezas arqueológicas, Palmira tem localização estratégica. Acessível por duas estradas, uma delas leva a Homs e a outra até a costa mediterrânea, a 240 km da capital, Damasco. Além disso, Palmira fica na entrada do grande deserto sírio, que faz fronteira com a província iraquiana de Al-Anbar, cuja capital, Ramadi, caiu esta semana parcialmente sob controle dos jihadistas.

O correspondente da RFI em Beirute, Paul Khalifeh, relata que o Líbano vê a ofensiva do EI nos países vizinhos com extrema preocupação. Segundo Khalifeh, os combatentes chegaram rapidamente a Palmira porque, depois de deixar seus dois redutos no oeste e noroeste da Síria − as cidades de Deirr Ezzor e Raqqa −, eles encontraram estradas desertas pela frente.

Exército sírio enfraquecido

Enfraquecido por quatro anos de guerra civil, o exército sírio ergueu posições de defesa bem próximas de Palmira. No entanto, os depósitos de armas e suprimentos ficam a quase 100 km das trincheiras, o que explica a incapacidade dos soldados sírios de resistirem nos enfrentamentos com os jihadistas.

A escassez de soldados e armas para abastecer as 70 frentes de combate nas quais o exército sírio está envolvido em todo o território são o ponto fraco das forças do regime, que contam com 200 mil homens, incluindo milicianos. Para defender posições espalhadas em 180 mil quilômetros quadrados, seria necessário contar com o triplo de soldados, dizem especialistas militares. 

O regime de Bashar al-Assad enviou reforços a Palmira e também combate os jihadistas com operações aéreas.

Dezenas de civis executados

Na rota para Palmira, os extremistas sunitas do EI, conhecidos por suas atrocidades, executaram pelo menos 49 civis nas últimas 48 horas, segundo levantamento do OSDH. Em um dos massacres, que resultou na morte de 23 pessoas, havia nove crianças e quatro mulheres entre as vítimas. Parte dos civis foi decapitada.

O diretor do OSDH, Rami Abdel Rahmane, diz que a organização terrorista quer dar a impressão que está conquistando novas áreas da Síria e do Iraque, apesar das operações aéreas da coalizão liderada pelos Estados Unidos contra posições do EI.

A província de Homs, no centro da Síria, ainda é controlada pelo exército de Bashar al-Assad e conquistá-la seria uma forma de ampliar a influência dos jihadistas em regiões que vão além do norte e do leste da Síria, onde o grupo já está bem estabelecido.

EUA enviam armas ao Iraque

Depois de conquistar a sede do governo de Ramadi, nesta sexta-feira, o EI está prestes a tomar o restante da cidade iraquiana. Se isto acontecer, será a mais importante vitória dos jihadistas este ano no Iraque. Os rebeldes sunitas passariam a controlar as capitais de duas grandes províncias iraquianas, Mossul e Ramadi.

Ontem, o vice-presidente americano, Joe Biden, disse que Washington entrega armas ao Iraque de forma "contínua e acelerada", para ajudar as forças iraquianas a combater os jihadistas do EI. Biden conversou por telefone com o premiê iraquiano, Haider al-Abadi, que demonstrou estar muito preocupado com a situação em Ramadi.

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