Síria/Terrorismo

Grupo Estado Islâmico conquista sítio arqueológico de Palmira

Imagem de Palmira feita no dia 18 de maio de 2015, antes de cair em poder do EI.
Imagem de Palmira feita no dia 18 de maio de 2015, antes de cair em poder do EI. AFP Foto/STR

Os jihadistas da organização terrorista Estado Islâmico (EI) assumiram nesta quinta-feira (21) o controle total do sítio arqueológico de Palmira, o mais famoso da Síria, um dia depois de terem expulsado do local as forças governamentais. Os rebeldes conquistaram a cidade em apenas 5 horas. O exército sírio se retirou depois de evacuar a maior parte da população, composta atualmente de 100 mil habitantes, dois terços refugiados da guerra civil.

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Esta é a primeira vez que a organização islâmica ultrarradical EI conquista uma localidade protegida pelas forças do regime de Bashar al-Assad. Os jihadistas foram destruindo uma a uma as barreiras erguidas pelo exército nos arredores da cidade e não deixaram margem a um contra-ataque. Bandeiras pretas do EI foram hasteadas para mostrar a dominação.

Os extremistas conquistaram Palmira depois de terem tomado a base aérea, prédios dos serviços de informação do governo e a prisão da cidade, a maior do Oriente Médio, segundo a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH). O exército sírio bateu em retirada, dando cobertura aos habitantes, que fugiram pela estrada que liga Palmira a Homs e Damasco.

Desde quarta-feira, os combates em Palmira já deixaram pelo menos cem mortos entre as tropas pró-regime. O número de vítimas é ainda maior desde o início da ofensiva jihadista, iniciada no dia 13 de maio. O OSDH, que possui uma rede de informantes no país em guerra, registrou um total de 462 mortos, sendo 241 membros do regime e 150 jihadistas. Ao menos 71 civis morreram nos enfrentamentos, vários deles executados pelo EI.

A imprensa oficial síria anunciou ontem que as forças governamentais tomaram a direção de Damasco, prioridade do exército sírio e onde se concentra grande parte da população do país.

Localização estratégica

Palmira está situada a 240 quilômetros a nordeste de Damasco, a capital síria. A cidade tem uma localização estratégica para o grupo terrorista porque fica no deserto sírio que faz fronteira com a província iraquiana de Al-Anbar, cuja capital, Ramadi, caiu em poder dos jihadistas no domingo. Palmira também fica no eixo rodoviário que vai até Homs, a oeste, e Damasco, ao sul. A cidade ainda é cercada por campos de gás, possui um aeroporto e depósitos de armas do governo.

Ao assumir o controle do famoso sítio arqueológico e da vasta região desértica ao redor, a organização jihadista já domina quase a metade da Síria. Antes do início da guerra civil, em 2011, a cidade era visitada por 150 mil turistas por ano. As colunas romanas e outras relíquias do patrimônio de Palmira datam de mais de 2 mil anos.

De acordo com o OSDH, até o momento não há informações sobre a destruição de monumentos históricos em Palmira. A cidade está inscrita no patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. Prevendo a ofensiva jihadista, as autoridades sírias retiraram da cidade dezenas de estatuetas e objetos de valor cultural, que foram transportados para um local mais seguro.

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