Turquia/Eleições

Partido de Erdogan vence eleições, mas perde maioria na Turquia

O presidente Recepp Tayyip Erdogan acena para apoiadores na chegada à sessão eleitoral
O presidente Recepp Tayyip Erdogan acena para apoiadores na chegada à sessão eleitoral REUTERS/Yagiz Karahan

O projeto do presidente turco Recepp Tayyp Erdogan de se outorgar plenos poderes ficou mais distante neste domingo (7). O Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco), de Erdogan, venceu as eleições legislativas, mas não obteve a maioria absoluta, necessária para mudar a constituição e transformar a presidência no principal cargo executivo do país. Atualmente, o poder de facto é exercido pelo primeiro-ministro - cargo que foi ocupado pelo próprio Erdogan entre 2003 e 2014, quando ele se elegeu presidente.

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O resultado é histórico principalmente porque, pela primeira vez, um partido pró-minoria curda será representado no Parlamento. De acordo com a lei eleitoral turca, para poder ter deputados, um partido deve obter mais de 10% dos votos. O Partido Democrático dos Povos (ou HDP, na sigla em turco) conseguiu 12,5%, o que lhe garante mais de 70 dos 550 assentos.

Mesmo assim, a sigla de esquerda, que costuma ser comparada ao Syriza grego e ao Podemos da Espanha, terá uma árdua batalha pela frente. O Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, do Erdogan) obteve 41% dos votos, seguido pelos social-democratas do Partido Republicano do Povo, com 25% e do MHP, Partido da Ação Nacionalista, de extrema-direita, que teve 16,5% dos votos.

Violência e desafios

Ou seja, entre os representados, o HDP terá o menor número de assentos. Mas pode ser o suficiente para contrabalancear Recepp Erdogan, que já censurou imprensa e redes sociais, construiu um palácio de mais de mil quartos e passou por cima da legislação para participar ativamente da campanha eleitoral.

A campanha, aliás, foi marcada por forte tensão, suspeitas de fraudes e violência. Anteontem, uma bomba explodiu no último comício do HDP, matando dois militantes. Esse foi apenas o último de 124 atentados contra o partido.
 

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