Síria/Guerra civil

Rebeldes sírios tomam importante base militar no sul do país

Grupo de rebeldes "Jaish al Fateh", em Idleb
Grupo de rebeldes "Jaish al Fateh", em Idleb REUTERS/Mohamad Bayoush

Rebeldes sírios tomaram nesta terça-feira (9) uma das mais importantes bases militares no sul do país, em mais um grande revés para o regime de Bashar al-Assad. "Depois de 24 horas de combates, o Fronte Sul (da insurgência) liberou inteiramente a base Brigada 52 e expulsou o regime", informou o porta-voz rebelde Issam al-Rayyess.

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Cerca de 2 mil combatentes participaram da operação, que terminou com um saldo de ao menos 34 mortos (14 insurgentes e 20 soldados). A conquista da base foi confirmada pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), mas a agência oficial Sana informou apenas que houve uma série de ataques aéreos contra terroristas no local.

Pesadelo rebelde

Esse campo era uma das últimas grandes bases militares ainda sob controle do regime na província meridional de Deraa, dominada pela rebelião. Com essa conquista, os rebeldes ganham acesso à província meridional de Sueida, umas das poucas que Bashar al-Assad ainda domina inteiramente. A instalação também fica a apenas 10 km da principal rodovia para o sul de Damasco.

"Essa base era um pesadelo para os rebeldes porque a maior parte dos bombardeios contra nossas posições no sul partia de lá", explicou al-Rayess. De acordo com Dia al-Hariri, porta-voz de um dos grupos que integram o Fronte Sul, "ela ainda contava com um grande corpo de infantaria, que o regime utilizava para atacar cidades e vilarejos do sul".

O exército sírio sofreu uma série de derrotas nos últimos meses, principalmente nas regiões sul e norte do país. De acordo com especialistas, a insurgência recebeu um importante aporte em armas de seus financiadores sauditas, turcos e cataris, que teriam decidido pôr de lado as rivalidades regionais que minam os rebeldes.

Mais de 230 mil mortos

Desde que começou, em 2011, o conflito na Síria já causou mais de 230 mil mortes e, entre as vítimas, 11 mil e 500 crianças. Essa triste estimativa divulgada hoje pelo Observatório Sírio dos Direitos Humanos mostra ainda que o número de civis mortos é exorbitante: são quase 70 mil - 7.371 mulheres.

A maior parte dos mortos são combatentes: quase 80 mil soldados do regime ou milicianos pró-Bashar al Asad e 31 mil rebeldes. Os números do OSDH não incluem as cerca de 20 mil pessoas que desapareceram depois de presas, nem as 9 mil que permanecem em prisões do governo ou as 4 mil que foram sequestradas e estão sob o poder do grupo Estado Islâmico.

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