Economia/Grécia

Alemanha face à dívida grega

Ministro das finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, em Atenas. 11/08/2015
Ministro das finanças da Grécia, Euclid Tsakalotos, em Atenas. 11/08/2015 REUTERS/Alkis Konstantinidis

Segundo um instituto especializado, a Alemanha , que está na origem de severas condições impostas ao governo de Atenas pelos credores para que este pudesse beneficiar de mais um empréstimo, tirou proveito da fraqueza da economia  grega.

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O instituto de Investigação Económica Leibniz afirma que a Alemanha beneficiou confortávelmente do reembolso da dívida grega,graças à uma poupança em juros da ordem dos 100 mil milhões de euros. Berlim tirou proveito da dívida pública da Grécia para atrair investidores para a sólida economia alemã.

No documento divulgado, a instituição de Leibniz, sem fins lucrativos, salienta que no decurso dos últimos anos, cada vez que notícias negativas sobre a dívida da Grécia chegavam ao conhecimento dos mercados financeiros, as taxas de juro sobre as obrigações da Alemanha caíam. Ao contrário, as boas notícias contribuiam para a subida das taxas de juro aplicadas à Alemanha.

Os cerca de 100 mil milhões de euros economizados pela Alemanha desde 2010 correspondem à mais ou menos 3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Em declarações à RFI, o economista Domingos Luvumbu realçou nomeadamente que embora a análise do Instituto de Investigação Económica de Leibniz corrobore uma certa verdade, a questão da dívida grega na Alemanha não deixa de ser delicada.

Domingos Luvumbo

 

Países como a França, a Holanda e os Estados Unidos beneficiaram igualmente da dívida grega, mas numa menor escala.

A divulgação do documento do Instituto de Leibniz ocorre numa altura em que o governo de Atenas e os seus credores(União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) chegaram à um acordo de príncipio para a atribuição de um novo empréstimo à Grécia durante os próximos três anos, cuja cifra ultrapassa os 85 mil milhões de euros. O empréstimo dependerá da implementação imediata pelo governo do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, de trinta e cinco medidas exigidas pelos credores, entre as quais a reestruturação do sistema de protecção social da Grécia.

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