PORTUGAL

Portugal: Cavaco Silva pede a Passos Coelho "solução governativa”

O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, e Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, a 6 de Outubro de 2015.
O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, e Cavaco Silva, Presidente da República Portuguesa, a 6 de Outubro de 2015. REUTERS/Rafael Marchante

O presidente português, Aníbal Cavaco Silva, pediu ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, para encontrar uma “solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade do país”. Cavaco Silva disse que “"é o tempo do compromisso". Coligação PSD/CDS convidou líder do PS para reunião. António Costa encontra-se hoje com o PCP e na quinta-feira com o BE.

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Cavaco Silva anunciou, esta terça-feira à noite, em comunicação ao país, que encarregou o Passos Coelho de “desenvolver diligências com vista a avaliar as possibilidades de constituir uma solução governativa que assegure a estabilidade política e a governabilidade do país".

O presidente português disse que "é o tempo do compromisso" e que "Portugal necessita (...) de um governo com solidez e estabilidade”, insistindo ser fundamental que "seja agora formado um governo estável e duradouro" depois das eleições legislativas no domingo que deram a vitória à coligação PSD/CDS-PP.

Face a uma vitória sem maioria absoluta e à necessidade de “estabilidade”, Cavaco Silva pediu aos partidos políticos que revelem "abertura para um compromisso que, com sentido de responsabilidade, assegure uma solução governativa consistente, como acontece em todas as democracias europeias", num recado ao Partido Socialista.

Ainda que sem mencionar directamente o PS, o presidente apontou como condições “a observância das obrigações decorrentes da participação nas organizações internacionais de defesa coletiva, como a NATO, e da adesão plena à União Europeia e à Zona Euro".

Coligação quer apoio do PS

Esta quarta-feira, o presidente do PSD afirmou que já contactou o secretário-geral do PS, António Costa, esperando reunir-se com ele ainda esta semana. Pedro Passos Coelho disse que conta com o apoio dos socialistas para "o quadro de realismo que a política orçamental necessita de poder respeitar nos próximos anos", tendo em conta a sua "conhecida vinculação à pertença de Portugal à União Europeia e à zona euro".

PS quer ouvir todos os partidos

Na noite passada, a Comissão Política Nacional do PS decidiu pedir a todos os partidos - quer à esquerda, quer à direita - que clarifiquem as posições sobre a existência de condições políticas para a formação de um novo Governo.

O secretário-geral do PS, António Costa, reúne-se hoje com o PCP e na quinta-feira com o Bloco de Esquerda. O BE voltou a desafiar PS para um Governo que “rompa com austeridade”, enquanto o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, falou na necessidade de formação de um Governo de esquerda e avisou que vai apresentar uma moção de rejeição ao programa de um governo PSD/CDS.

Por outro lado, o PS decidiu dar liberdade de voto aos socialistas na primeira volta das eleições presidenciais. Para já os candidatos declarados do PS são Sampaio da Nóvoa e Maria de Belém. António Costa quer, assim, evitar mais “fracturas” no partido.

Nas eleições legislativas - e quando faltam ainda apurar os quatro mandatos dos círculos da Europa e fora da Europa - a coligação PSD/CDS elegeu 104 deputados, o PS atingiu 85 deputados, o Bloco de Esquerda 19 e a CDU 17. O hemiciclo fica completo com um deputado do PAN 5Pessoas-Animais-Natureza).
 

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